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Charlie Root
db13da2800 A small joke. 2026-04-13 21:53:38 -03:00
Charlie Root
61c5ca9d8c Understanding the throwing of a ball up. 2026-04-09 22:09:55 -03:00
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7d2d0cdf20 How to convert units. 2026-04-09 22:09:55 -03:00
Charlie Root
1cfe080d78 Cosmetics on the entire document. 2026-04-09 22:09:51 -03:00
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@ -188,7 +188,7 @@ O habilidoso uso de ferramentas é condição {\em sine qua non} pra
análise matemática. Começamos por ferramentas que certamente usaremos análise matemática. Começamos por ferramentas que certamente usaremos
na empreitada. na empreitada.
\subsection{O sistema Hindu-Arábico de numerais} \subsection{O sistema hindu-arábico de numerais}
\newcommand{\al}{al-Khow\={a}rism\={\i}} \newcommand{\al}{al-Khow\={a}rism\={\i}}
@ -390,12 +390,12 @@ que é 1 ---, teríamos marcado um {\tt x} só nos algarismos {\tt
123456}, indicando que ainda consideraremos os algarismos {\tt 123456}, indicando que ainda consideraremos os algarismos {\tt
789123456789} ao longo da computação do algoritmo. 789123456789} ao longo da computação do algoritmo.
Por que se chama divisão longa? Pra ser distinguida com divisão Por que se chama divisão longa? Pra ser distinguida da divisão curta.
curta. Na divisão longa, escrevemos a multiplicação parcial do Na divisão longa, escrevemos a multiplicação parcial do quociente pelo
quociente pelo divisor logo abaixo do dividendo parcial; em seguida, divisor logo abaixo do dividendo parcial; em seguida, efetuamos a
efetuamos a subtração. Na divisão curta, omitimos a subtração tal que subtração. Na divisão curta, omitimos a subtração tal que escrevemos
escrevemos abaixo do dividendo apenas o resultado da subtração, abaixo do dividendo apenas o resultado da subtração, tornando a
tornando a verificação do trabalho mais difícil. Também exibida pela verificação do trabalho mais difícil. Também exibida pela
Figura~\ref{fg-alkw-long-div} (na página \pageref{fg-alkw-long-div}), Figura~\ref{fg-alkw-long-div} (na página \pageref{fg-alkw-long-div}),
desenhamos uma seta indicando o produto do algarismo corrente do desenhamos uma seta indicando o produto do algarismo corrente do
quociente (corrente durante a execução do algoritmo) que deu origem ao quociente (corrente durante a execução do algoritmo) que deu origem ao
@ -450,8 +450,8 @@ página~\pageref{fg-alkw-long-div}).
-------- --------
42042 --> resto 42042 --> resto
\end{verbatim} \end{verbatim}
\caption{A multiplicação entre 123456789 por 987654321 segundo \al. \caption{A divisão de 123456789123456789 por 123123 segundo \al. O
O quociente é 1002711021689 e o resto, 42042. Se tivéssemos quociente é 1002711021689 e o resto, 42042. Se tivéssemos
interromido o algoritmo em qualquer momento, teríamos no papel interromido o algoritmo em qualquer momento, teríamos no papel
tudo que precisamos pra continuá-lo. Por falta de espaço, tudo que precisamos pra continuá-lo. Por falta de espaço,
exibimos a tabuada de 123123 na exibimos a tabuada de 123123 na
@ -504,7 +504,7 @@ Estudemos agora a divisão entre 322 e 37. A tabuada
revela imediatamente que o primeiro algarismo do quociente é 8. O revela imediatamente que o primeiro algarismo do quociente é 8. O
resto de $26 < 37$ revela que terminamos. Desejando a parte resto de $26 < 37$ revela que terminamos. Desejando a parte
fracionada da expansão decimal da divisão, continuamos. O zero que fracionada da expansão decimal da divisão, continuamos. O zero que
justamos ao 26 representa o fato de que multiplicamos o resto 26 por justapomos ao 26 representa o fato de que multiplicamos o resto 26 por
10. Por causa disso, precisaremos corrigir o quociente por via de uma 10. Por causa disso, precisaremos corrigir o quociente por via de uma
divisão por 10 --- o que é feito imediatamente com a adição do ponto divisão por 10 --- o que é feito imediatamente com a adição do ponto
decimal. Encontramos o algarismo 7 e como resto obtemos $1 < decimal. Encontramos o algarismo 7 e como resto obtemos $1 <
@ -517,7 +517,7 @@ coisa, mas no contexto em que estamos significa uma quantidade menor
que 1. O termo ``periódica'' é evidenciado pelo fato de que temos um que 1. O termo ``periódica'' é evidenciado pelo fato de que temos um
ciclo, o que representamos pelos colchetes --- ou seja, $322 \div 37 = ciclo, o que representamos pelos colchetes --- ou seja, $322 \div 37 =
8.702[702] = 8.[702]$. A justificativa para esse sistema de 8.702[702] = 8.[702]$. A justificativa para esse sistema de
computação em papel é computação em papel é
% %
\begin{align*} \begin{align*}
\frac{322}{37} &= 8 + \frac{26}{37}\\ \frac{322}{37} &= 8 + \frac{26}{37}\\
@ -530,7 +530,11 @@ computação em papel é
&= 8 + 0.7 + 0.002 + 0.702 \cdot\frac{1}{1000}\\ &= 8 + 0.7 + 0.002 + 0.702 \cdot\frac{1}{1000}\\
&= 8 + 0.702 + 0.000702 + \cdots &= 8 + 0.702 + 0.000702 + \cdots
\end{align*} \end{align*}
%
Cabe aqui agora uma explicação do porquê essas equações justificam o
algoritmo da divisão---em outras palavras, estamos sem uma explicação
por que o algoritmo funciona.
\begin{figure}[!htb] \begin{figure}[!htb]
\centering \centering
\begin{verbatim} \begin{verbatim}
@ -699,7 +703,7 @@ transcendentais cujos algarismos jamais poderiam ser obtidos por um
programa de computador. A relevância do fato é que programa de programa de computador. A relevância do fato é que programa de
computador é apenas uma realização da expressibilidade dos nossos computador é apenas uma realização da expressibilidade dos nossos
sistemas de cálculo. Logo, a limitação se aplica a nós --- porque os sistemas de cálculo. Logo, a limitação se aplica a nós --- porque os
computadores são apenas uma realização do nossos sistemas de computadores são apenas uma realização dos nossos sistemas de
raciocínio. Temos números ``demais'' na linha real no sentido de que raciocínio. Temos números ``demais'' na linha real no sentido de que
não temos (e não teremos) uma linguagem expressiva o suficiente pra não temos (e não teremos) uma linguagem expressiva o suficiente pra
alcançá-los, o que nos leva a questionar nossa concepção intelectual alcançá-los, o que nos leva a questionar nossa concepção intelectual
@ -936,7 +940,7 @@ esse quadrado, fica faltando adicionar $(b/2a)^2$. O lado desse
quadrado é, portanto, $x + b/2a$, o que nos dá a identidade quadrado é, portanto, $x + b/2a$, o que nos dá a identidade
% %
\begin{align*} \begin{align*}
(x + \fr{b}{2a})^2 = x^2 + \fr{b}{a} + \fr{b^2}{4a^2}. \left(x + \fr{b}{2a}\right)^2 = x^2 + \fr{b}{a} + \fr{b^2}{4a^2}.
\end{align*} \end{align*}
% %
Assim, podemos resolver a equação por computar Assim, podemos resolver a equação por computar
@ -968,7 +972,7 @@ conjugados $(t + 3)(t - 3)$.
%% sendo $a, b$ números racionais --- digamos. Essa função é %% sendo $a, b$ números racionais --- digamos. Essa função é
%% tipicamente chamada de conjugação. Ela pode ser vista como uma %% tipicamente chamada de conjugação. Ela pode ser vista como uma
%% generalização da conjugação complexa restrita a inteiros %% generalização da conjugação complexa restrita a inteiros
%% gaussianos, que não números complexos da forma $a + bi$, sendo $a, %% gaussianos, que são números complexos da forma $a + bi$, sendo $a,
%% b$ inteiros. A generalização, portanto, é relaxar os inteiros %% b$ inteiros. A generalização, portanto, é relaxar os inteiros
%% gaussianos e permitir racionais. Se definirmos $f$ assim, obtemos %% gaussianos e permitir racionais. Se definirmos $f$ assim, obtemos
%% uma contradição quando $n$ é um quadrado perfeito. Por exemplo, %% uma contradição quando $n$ é um quadrado perfeito. Por exemplo,
@ -1018,6 +1022,12 @@ $a, b$ estão em $\{3, 9\}$, mas é preciso saber se tentamos $(5x +
3)(x + 9)$ ou $(5x + 9)(x + 3)$. Devemos considerar a segunda opção 3)(x + 9)$ ou $(5x + 9)(x + 3)$. Devemos considerar a segunda opção
primeiro já que $9\times 5 = 45$, muito grande pra $24$. primeiro já que $9\times 5 = 45$, muito grande pra $24$.
Dito tudo isso, o fato é que estamos sempre resolvendo um sistema
não-linear em que $ab$ é um inteiro e $Lb + a$ é outro. A
investigação acima é meramente uma tentativa de nos clarificar como
pensar no problema---como procurar por soluções sem recorrer à equação
quadrática.
\subsubsection{Fatoração de soma e diferença de cubos} \subsubsection{Fatoração de soma e diferença de cubos}
Outros produtos notáveis são a {\em Soma de cubos} e a {\em diferença Outros produtos notáveis são a {\em Soma de cubos} e a {\em diferença
@ -1839,7 +1849,7 @@ Parece que Newton usou alguma ideia bem diferente, evitando o sistema
de equações lineares, mas não sei o que ele fez. Fica aí como um de equações lineares, mas não sei o que ele fez. Fica aí como um
exercício pra um dia descobrir o que ele fez e catalogar a técnica. exercício pra um dia descobrir o que ele fez e catalogar a técnica.
\section{Definitions, limits and continuity} \section{Limits and continuity}
\masciidef{} The absolute value of a number $x$, written $|x|$ is the \masciidef{} The absolute value of a number $x$, written $|x|$ is the
distance from 0 to $x$ on the real line. Distances are always positive, distance from 0 to $x$ on the real line. Distances are always positive,
@ -6676,8 +6686,8 @@ observações sobre o tema.
Uma equação diferencial é chamada de {\em ordinária} se a função que Uma equação diferencial é chamada de {\em ordinária} se a função que
soluciona a equação depende de apenas uma única váriavel independente, soluciona a equação depende de apenas uma única váriavel independente,
ou seja, a função desejada é $y(x)$. Se ela depender de mais de uma ou seja, a função desejada é $y(x)$. Se ela depender de mais de uma
variável, então trata-se de uma equação diferencial parcial, quando a variável, então trata-se de uma equação diferencial {\em parcial},
solução é uma função como, por exemplo, $y(x_1, x_2)$. quando a solução é uma função como, por exemplo, $y(x_1, x_2)$.
Uma equação é chamada de {\em separável de primeira ordem} quando ela Uma equação é chamada de {\em separável de primeira ordem} quando ela
pode ser escrita como pode ser escrita como
@ -6828,7 +6838,7 @@ diferencial linear de primeira ordem.
\begin{definition}[linear] \begin{definition}[linear]
Uma equação diferencial é linear de $n$-ésima ordem se ela é da forma Uma equação diferencial é linear de $n$-ésima ordem se ela é da forma
% %
$$f_n(x) y^(n) + f_{n-1}(x)y^(n - 1) + \cdots + f_2(x)y'' + f_(1) y' + f_o(x)y = Q(x).$$ $$f_n(x) y^{(n)} + f_{n-1}(x)y^{(n - 1)} + \cdots + f_2(x)y'' + f_1(x) y' + f_0(x)y = Q(x).$$
% %
\end{definition} \end{definition}
@ -6839,25 +6849,30 @@ resolver a linear de primeira ordem, que é da forma
% %
\begin{remark*} \begin{remark*}
Note que uma equação como $q(x)y' + P(x)y = Q(x)$ ainda é linear de Note que uma equação como $q(x)y' + P(x)y = Q(x)$ ainda é linear de
primeira ordem porque basta a gente reescrevê-la pra $y' + 1/q(x) primeira ordem porque basta a gente reescrevê-la pra
P(x)y = 1/q(x) Q(x)$. %
$$y' + \fr{1}{q(x)} P(x)y = \fr{1}{q(x)} Q(x).$$
%
\end{remark*} \end{remark*}
%
É nesse tipo de equação que usamos o chamado ``método do fator É nesse tipo de equação que usamos o chamado ``método do fator
integrante'', que exibiremos agora. O método nos instruir a procurar integrante'', que exibiremos agora. O método nos instrui a procurar
por $f(x)$ que quando multiplicada em ambos os lados da equação por $f(x)$ que quando multiplicada em ambos os lados da equação
produza a regra do produto $f(x)y' + f'(x)y = (f(x)y)'$. Ocorre que produza a regra do produto $f(x)y' + f'(x)y = (f(x)y)'$. Ocorre que
uma tal função de $x$ pode ser sempre $\exp(\int P(x) \dx)$. ``Por uma tal função de $x$ pode ser sempre $\exp(\int P(x) \dx)$. ``Por
quê?'' é a pergunta interesse aqui. Antes de exibirmos o porquê, quê?'' é a pergunta de interesse aqui. Antes de exibirmos o porquê,
vejamos o método em ação. vejamos o método em ação.
\begin{exercise*} \begin{exercise*}
Resolva a equação $y' + \fr{1}{x}y = x^2$. \sol. Primeiro computamos Resolva a equação
$\exp(\int x^{-1} \dx) = \exp(\ln x) = x$. Observe que queremos uma %
função $f(x)$ qualquer, então podemos sempre tomar $c = 0$ na $$y' + \fr{1}{x}y = x^2.$$
integração de $P(x)$. Agora multiplique $x$ em ambos lados da equação, %
obtendo $xy' + x x^{-1}y = x^3$. Observe que o lado esquerdo é \sol. Primeiro computamos $\exp(\int x^{-1} \dx) = \exp(\ln x) =
exatamente $(xy)'$ e, portanto, temos x$. Observe que queremos uma função $f(x)$ qualquer, então podemos
sempre tomar $c = 0$ na integração de $P(x)$. Agora multiplique $x$ em
ambos lados da equação, obtendo $xy' + x x^{-1}y = x^3$. Observe que o
lado esquerdo é exatamente $(xy)'$ e, portanto, temos
% %
\begin{align*} \begin{align*}
xy' + x x^{-1}y &= x^3\\ xy' + x x^{-1}y &= x^3\\
@ -6874,52 +6889,35 @@ O método ilustra o fato de que a gente sempre recorre às regras de
derivação pra conseguir uma integração. derivação pra conseguir uma integração.
Uma das perguntas importantes aqui é por que o fator integrante é Uma das perguntas importantes aqui é por que o fator integrante é
$\int P(x) \dx$. A resposta é na verdade simples. Estamos em busca de $\int P(x) \dx$. A resposta é na verdade simples. Estamos em busca
uma função $I(x)$ tal que de uma função $M(x)$ tal que
% %
$$(M(x)y)' = M(x)y' + M(x)P(x)y.$$ $$(M(x)y)' = M(x)y' + M(x)P(x)y.$$
% %
Expandindo o lado esquerdo, obtemos $M'(x)y + M(x)y$. Agora iguale o Expandindo o lado esquerdo, obtemos $M'(x)y + M(x)y'$. Agora iguale o
lado esquerdo desejado com o lado direito pra obter a equação lado esquerdo desejado com o lado direito pra obter a equação
% %
$$M'(x)y + M(x)y = M(x)y' + M(x)P(x)y = M(x)P(x)y + M(x)y'.$$ $$M'(x)y + M(x)y' = M(x)P(x)y + M(x)y'.$$
% %
O que nos diz essa equação? Diz-nos que a função que estamos O que nos diz essa equação? Diz-nos que a função que estamos
procurando satisfaz $M'(x) = M(x) P(x)$. Essa é uma nova equação procurando satisfaz $M'(x) = M(x) P(x)$. Que função é essa? Qual é a
diferencial que na verdade já conhecemos---ela é uma separável de função que quando derivada depende dela própria? É a função
primeira ordem. Encontramos uma solução pra ela lendo-a em exponencial de base $e$. Mas e o fator $P(x)$? O fator $P(x)$ só
palavras---que função $M(x)$ conhecemos que quando derivada resulta aparece na derivada da exponencial quando ele é a derivada do
nela própria vezes alguma coisa? Essa função $M(x)$ tem que ser expoente. E $P(x)$ é a derivada de $\int P(x) \dx$. Logo,
certamente uma exponencial porque só as exponenciais têm a propriedade
de que a velocidade de seu crescimento depende de si própria. Esse é
um fato importante aqui. Agora, pra solucionar a charada por completo,
declare $u'(t) = P(x)$ (pra alguma transformação que leve $t$ a $x$)
de forma que $u(t) = \int P(x) \dx$ e reescreva o problema como
% %
$$M'(x) = M(x) u'(t).$$ $$M(x) = \exp\left(\int P(x) \dx\right).$$
%
Já sabemos que $M(x)$ é uma exponencial e a regra da cadeia implica
que a variável independente $x$ de $M(x)$ tem que ser $x = u(t)$.
Assim, obtemos
%
$$M'(x) = (M(u(t)))' = M'(u(t))u'(t)$$
%
que implica
%
$$M(x) = \int M'(x) \dx = \exp\left(\int P(x) \dx\right) P(x) = \exp\left(P(x) \dx\right),$$
%
como desejado.
\begin{remark*} Agora sabemos que se multiplicarmos ambos os lados de uma equação
Essa dedução ficou prolixa. Existe a resposta curta e de pouca emoção diferencial linear de primeira ordem por $\exp\left(\int P(x)
que é o fato de que \dx\right)$, obteremos no lado esquerdo da equação a derivada do
produto de $\exp\left(\int P(x) \dx\right)$ por $y$, ou seja,
obteremos a derivada de
% %
$$\exp\left(\int P(x) \dx\right)' = \exp(\Int P(x) \dx) P(x) + c.$$ $$y \exp\left(\int P(x) \dx\right),$$
% %
Mas todos nós sabemos que é bom exercício induzir a resposta a partir restando apenas integrarmos o lado direito da equação com respeito a
de um problema anterior em vez de magicamente aparecer com a resposta $x$.
e mostrar que ela o soluciona.
\end{remark*}
\subsection{As lineares de segunda ordem} \subsection{As lineares de segunda ordem}
@ -6935,11 +6933,17 @@ em que $f_2(x)$, $f_1(x)$, $f_0(x)$ são constantes, ou seja, só
sabemos resolver as equações sabemos resolver as equações
% %
$$ay'' + by' + cy = g(x).$$ $$ay'' + by' + cy = g(x).$$
%
É possível resolver essa equação pra qualquer $g(x)$ diferenciável, As mais fáceis de resolver são aquelas em que $g(x) = 0$ e essas são
mas no momento só sabemos tratar o problema quando $g(x)$ toma as chamadas de {\em homogêneas}. As outras em que $g(x) \neq 0$ são
formas de um polinômio, uma exponencial, uma função trigonométrica ou chamadas de {\em não-homogêneas}.
uma combinação dessas.
\ghostsection{As homogêneas}. \lipsum[1]
É possível resolver as não-homogêneas pra qualquer $g(x)$
diferenciável, mas no momento só sabemos tratar o problema quando
$g(x)$ toma as formas de um polinômio, uma exponencial, uma função
trigonométrica ou uma combinação dessas.
Consideremos primeiro o caso de um polinômio como o da equação Consideremos primeiro o caso de um polinômio como o da equação
% %
@ -6947,16 +6951,213 @@ Consideremos primeiro o caso de um polinômio como o da equação
% %
Um fato curioso sobre essa equação é que a solução geral dela é obtida Um fato curioso sobre essa equação é que a solução geral dela é obtida
a partir de uma solução particular. E como uma solução particular é a partir de uma solução particular. E como uma solução particular é
obtida? Observe o que diz essa equação. Ela diz que $y(x)$ é uma obtida? Observe o que diz essa equação. Ela diz que $y(x)$ é uma
função tal que sua segunda derivada mais duas vezes sua primeira função tal que sua segunda derivada mais duas vezes sua primeira
derivada mais três vezes ela própria é um polinômio quadrático. A derivada mais três vezes ela própria é um polinômio quadrático. A
gente pode especular que $y(x)$ é um polinômio também porque todas as gente pode especular que $y(x)$ é um polinômio também porque todas as
derivadas de um polinômio é um polinômio, incluindo suas somas e derivadas de um polinômio são um polinômio, incluindo suas somas e
constantes múltiplos. constantes múltiplos.
Hm. Na verdade comecei pelas não-homogêneas. Vamos retroceder e \section{Physics}
considerar as homogêneas primeiro, discutindo especialmente a palavra
``homogênea''. Tudo em física tem direção e unidade. É um bom hábito computar
aritmética sempre com as unidades---requer paciência de escrever e
cancelá-las---e prestando atenção à direção em que as coisas se movem.
Como não podemos usar calculadora na prova, precisamos ganhar
intimidade com computar números. Quando estiver incerto sobre a
solução de um problema, use a calculadora pra rapidamente saber se
realmente o raciocínio está certo. Depois disso, dê uma olhada e veja
o que tem de difícil nas contas e procure facilitá-los. Por exemplo,
descarte todas a super-precisão desnecessária, faça arredondamentos e
use os teoremas que facilitam contas---o que é uma arte admirável.
Viver sem calculadora é excelente desenvolvimento, mas usemo-na sempre
que útil---quando em pressa, por exemplo.
\ghostsection{Como se converte unidades}. Uma estratégia muito útil em
converter unidades é considerar a relação entre duas unidades como uma
fração de valor 1. Por exemplo, se 1 hora é 3600 segundos, então
%
$$1 \text{ h} = 3600 \text{ s} \text{ implica } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = 1 $$
%
Agora, se você quer converter 1800 segundos pra horas, basta
multiplicar pela razão 1 acima, obtendo
%
$$1800 \text{ s} = 1800 \text{ s } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = \fr{ 1800\text{ h}}{3600} = \fr{1}{2} \text{ h},$$
%
como desejado.
Observe que se você quer conversão pras horas, então sua razão terá as
horas no numerador porque assim os segundos no denominador cancelarão
os segundos que estão no numerador. Por ``segundos'' quero dizer a
constante ``s'' que representa a unidade em si.
Assim você converte qualquer coisa com facilidade.
\ghostsection{De volta ao movimento unidimensional}. Eis o primeiro
problema do IF. Existe algum jeito mais simples de computar as
respostas aqui? Como só conhecemos uma única fórmula, sempre a
aplicamos, mas você verá à frente que minha gatinha tinha um
Torricelli na manga.
\begin{exercise*}
Um motorista freia seu carro uniformemente de forma que a velocidade
cai de 72 pra 26 km/h em 5 segundos. Que distância o carro percorre
depois disso até parar? Quanto tempo levará pra percorrer essa
distância adicional? \sol. Não sei resolver. Qual é o meu problema?
Não sei que fórmula usar. Sei obter a aceleração do carro. Ele está
freiando, então tem uma aceleração negativa. Aceleração é a variação
da velocidade sobre o tempo. Então temos $a = (72 - 36)/(0 - 5) =
-7.2$ km/h. Aqui já cabe uma pergunta---devemos responder $-7.2$ km/h,
que tem dois algarismos significativos ou devemos dizer $-7$ km/h, já
que os dados contêm apenas um significativo? Digo que devemos
responder $-7$ km/h pra respeitar o sistema internacional. Se a prova
for discursiva, explicar esse fato; se não, marcar a melhor opção---é
o mais sensato a fazer aqui. (Mas note que nesse problema
especialmente, usar o $-7.2$ é o melhor a fazer porque as contas vão
dar mais certo usando-o. A gente só deve respeitar o sistema
internacional quando reportamos os valores finais.)
Okay, temos a aceleração---e agora? Lembro perfeitamente da fórmula
%
$$x(t) = x_0 + v_0 t + \fr{1}{2}a t^2,$$
%
mas nem sei como usá-la pra resolver esse problema.
Ah, espere um momento! Sei como descobrir $x(5)$ porque sei a
velocidade e a posição em $t=0$ e tenho a aceleração. O carro então
depois de 5 segundos está em $x = 0.075$ km, ou seja, posição $75$
metros, conta que obtive na calculadora (primeiro incorretamente,
depois incorretamente de novo e por último corretamente). Podemos
agora descobrir em que posição ele estará quando sua velocidade chegar
a zero? Não tenho uma fórmula pra velocidade. Ah, compute a derivada
de $x(t)$ pra obter
%
$$v(t) = x'(t) = v_0 + at.$$
%
Aos 5 segundos, a velocidade inicial do carro vai ser 36 km/h e
queremos $t$ tal que $v(t) = 0$, obtendo o problema
%
$$0 = \fr{36}{3600} + \left(\fr{-7.2}{3600}\right)t$$
%
cuja solução dá
%
$$t = \fr{36}{7.2} = 5 \text{ segundos}.$$
%
Note que não escrevemos as unidades aqui por economia de tempo. A
computação de 36/7.2 foi feita por calculadora. No papel, faríamos
$360 \div 72$, que é uma conta fácil de fazer. A conta que não é
fácil de fazer nesse problema é a conta que nos leva ao fato de que
nos 5 segundos iniciais, o carro percorre $0.75$ km, mas nem pensei em
como facilitá-la.
Anyway, o carro percorre mais 5 segundos até parar. Portanto, pra
obter a distância adicional percorrida, queremos
%
$$x(10) - x(5)= 0.1 - 0.075 = 0.025 \text{ km},$$
%
ou seja, o carro ainda se desloca por mais 25 metros, o que levou mais
5 segundos. Note que a segunda pergunta do problema foi respondida
primeiro---vida normal.
\end{exercise*}
\begin{remark*}
Eis a importância de se usar calculadora. Mesmo usando-a, errei o
valor obtido em $x(5)$ e depois acertei em $x(10)$. Usando Python,
consegui descobrir isso rapidamente, mas teria levado talvez horas pra
descobrir se estivesse calculando na mão. O cansaço decorrente não
compensa o desgosto gerado uma vez que estamos realmente preocupados
em cobrir terreno porque temos uma prova a fazer em breve. Parece boa
a estratégia de refazer as contas (quando elas estiverem certas)
observando o que podemos facilitar na computação. (LOL---tinha erro na
fórmula Python, então tive que corrigir novamente. Agora é enfática a
importância de calculadora aqui, isto é, de um computador mesmo.)
\end{remark*}
\ghostsection{A equação de Torricelli}. A equação de Torricelli
relaciona a velocidade diretamente com a aceleração sem envolver o
tempo. Ela é
%
$$v^2 = v_0^2 + 2a \Delta x$$
%
Sendo assim, veja como podemos aplicá-la no problema
abaixo---agradecimentos à gatinha mais linda do mundo.
\begin{exercise*}
Com que velocidade uma bola deve ser lançada verticalmente pra cima
pra que a bola alcance a altura máxima de 50m? Quanto tempo ela ficará
no ar? Desenhe os gráficos $y$, $v$ e $a$ {\em versus} $t$. Indique
nos dois primeiros gráficos o instante em que ela alcança os
50m. \sol. Computei a derivada de $y(t) = 0 + v_0 t + (1/2) (-9.8)
t^2$ pra obter $v(t) = v_0 - 9.8 t$ e assim isolei $t =
v_0/9.8$. Então consegui eliminar $t$, substituindo $v_0/9.8$ em
$y(t)$, obtendo
%
\begin{align*}
y(t) = \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{9.8}{2} \fr{v_0^2}{9.8^2}
= \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{v_0^2}{2 \cdot 9.8}
= \fr{v_0^2}{9.8} \left(1 - \fr{1}{2}\right)
= \fr{v_0^2}{9.8} \cdot \fr{1}{2}
\end{align*}
%
Como queremos altura de 50m, obtemos a quadrática
%
\begin{align*}
50 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
100 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
980 &= v_0^2\\
31.30 &= v_0,
\end{align*}
%
como desejado. Agora, quando prosseguimos pra perguntar quanto tempo
leva pra essa bola alcançar esses 50m, obtemos a quadrática $-4.9t^2 +
31.30 t - 50 = 0$, que não tem raiz. Como pode? O problema não tem
como estar errado. Queremos lançar uma bola pra cima até atingir 50m e
contabilizar o tempo---isso é perfeitamente físico. Estamos errados em
algum lugar. Como nossa $v_0$ casa com o gabarito, é na produção da
quadrática que estamos errados---aritmética! (A gente erra muita
aritmética.) Mas a aritmética parece correta, então física é uma coisa
muito perplexante.
O problema é o seguinte. Quando usamos o valor $v_0 = 31.30$ m/s, a
gente tá fazendo uma aproximação. Com 6 algarismos significativos,
$v_0 = 31.3049$. Quando montamos a quadrática com $v_0 = 31.30$, o
erro de arredontamento fez uma quadrática que não tinha raiz. Não
deveríamos ter-nos interrompido: bastava procurar pelo ponto máximo
dela que encontraríamos $t = 3.1938 \approx 3.2$, de onde obteríamos a
resposta correta $t = 6.4$ (ida e volta). Se em vez de $v_0 = 31.30$,
tivéssemos arredondado pra $v_0 = 31.305$, encontraríamos a quadrática
$-4.9t^2 + 31.305 t - 50 = 0$, que tem raiz $t \approx 3.18$.
\end{exercise*}
\begin{remark*}
O fato é que esse problema precisa ser resolvido do zero
novamente. Tem formas muito mais fáceis de se raciocinar aí. A gente
resolveu o problema colocando a origem em $y = 0$, mas poderíamos
colocá-la no ápice da altura (ou seja, a 50 m do chão), onde $v_0 =
0$. Assim, o termo linear da quadrática some e obtemos a equação
%
\begin{align*}
-50 &= v_0 t + \fr{1}{2} a t^2\\
&= 0 \cdot t + \fr{1}{2} (-9.8) t^2\\
50 &= \fr{1}{2} (9.8) t^2\\
100 &= (9.8) t^2\\
t &= \sqrt{\left(\fr{100}{9.8}\right)}\\
t &= 3.1943,
\end{align*}
%
como desejado. Note que agora a posição desejada é $-50$ porque
colocamos o ápice da bola como $y = 0$ e então ela vai cair 50 metros,
ficando no lado negativo do eixo $y$.
\end{remark*}
\begin{remark*}
Sabe o que é curioso? Errei a aritmética quando computei o comentário
acima. Em vez de dividir 100 por 9.8, eu multipliquei 100 por 9.8,
obtendo 980, cuja raiz é exatamente $v_0$, a velocidade com que a bola
precisa partir pra chegar com velocidade zero a 50 metros. Sim, rolou
um momento de perplexidade.
\end{remark*}
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