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db13da2800 | ||
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61c5ca9d8c | ||
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7d2d0cdf20 | ||
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1cfe080d78 |
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calculus.pdf
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calculus.pdf
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calculus.tex
349
calculus.tex
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@ -188,7 +188,7 @@ O habilidoso uso de ferramentas é condição {\em sine qua non} pra
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análise matemática. Começamos por ferramentas que certamente usaremos
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na empreitada.
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\subsection{O sistema Hindu-Arábico de numerais}
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\subsection{O sistema hindu-arábico de numerais}
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\newcommand{\al}{al-Khow\={a}rism\={\i}}
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@ -390,12 +390,12 @@ que é 1 ---, teríamos marcado um {\tt x} só nos algarismos {\tt
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123456}, indicando que ainda consideraremos os algarismos {\tt
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789123456789} ao longo da computação do algoritmo.
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Por que se chama divisão longa? Pra ser distinguida com divisão
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curta. Na divisão longa, escrevemos a multiplicação parcial do
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quociente pelo divisor logo abaixo do dividendo parcial; em seguida,
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efetuamos a subtração. Na divisão curta, omitimos a subtração tal que
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escrevemos abaixo do dividendo apenas o resultado da subtração,
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tornando a verificação do trabalho mais difícil. Também exibida pela
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Por que se chama divisão longa? Pra ser distinguida da divisão curta.
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Na divisão longa, escrevemos a multiplicação parcial do quociente pelo
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divisor logo abaixo do dividendo parcial; em seguida, efetuamos a
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subtração. Na divisão curta, omitimos a subtração tal que escrevemos
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abaixo do dividendo apenas o resultado da subtração, tornando a
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verificação do trabalho mais difícil. Também exibida pela
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Figura~\ref{fg-alkw-long-div} (na página \pageref{fg-alkw-long-div}),
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desenhamos uma seta indicando o produto do algarismo corrente do
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quociente (corrente durante a execução do algoritmo) que deu origem ao
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@ -450,8 +450,8 @@ página~\pageref{fg-alkw-long-div}).
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42042 --> resto
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\end{verbatim}
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\caption{A multiplicação entre 123456789 por 987654321 segundo \al.
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O quociente é 1002711021689 e o resto, 42042. Se tivéssemos
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\caption{A divisão de 123456789123456789 por 123123 segundo \al. O
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quociente é 1002711021689 e o resto, 42042. Se tivéssemos
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interromido o algoritmo em qualquer momento, teríamos no papel
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tudo que precisamos pra continuá-lo. Por falta de espaço,
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exibimos a tabuada de 123123 na
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@ -504,7 +504,7 @@ Estudemos agora a divisão entre 322 e 37. A tabuada
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revela imediatamente que o primeiro algarismo do quociente é 8. O
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resto de $26 < 37$ revela que terminamos. Desejando a parte
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fracionada da expansão decimal da divisão, continuamos. O zero que
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justamos ao 26 representa o fato de que multiplicamos o resto 26 por
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justapomos ao 26 representa o fato de que multiplicamos o resto 26 por
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10. Por causa disso, precisaremos corrigir o quociente por via de uma
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divisão por 10 --- o que é feito imediatamente com a adição do ponto
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decimal. Encontramos o algarismo 7 e como resto obtemos $1 <
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@ -530,7 +530,11 @@ computação em papel é
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&= 8 + 0.7 + 0.002 + 0.702 \cdot\frac{1}{1000}\\
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&= 8 + 0.702 + 0.000702 + \cdots
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\end{align*}
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Cabe aqui agora uma explicação do porquê essas equações justificam o
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algoritmo da divisão---em outras palavras, estamos sem uma explicação
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por que o algoritmo funciona.
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\begin{figure}[!htb]
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\centering
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\begin{verbatim}
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@ -699,7 +703,7 @@ transcendentais cujos algarismos jamais poderiam ser obtidos por um
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programa de computador. A relevância do fato é que programa de
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computador é apenas uma realização da expressibilidade dos nossos
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sistemas de cálculo. Logo, a limitação se aplica a nós --- porque os
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computadores são apenas uma realização do nossos sistemas de
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computadores são apenas uma realização dos nossos sistemas de
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raciocínio. Temos números ``demais'' na linha real no sentido de que
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não temos (e não teremos) uma linguagem expressiva o suficiente pra
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alcançá-los, o que nos leva a questionar nossa concepção intelectual
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@ -936,7 +940,7 @@ esse quadrado, fica faltando adicionar $(b/2a)^2$. O lado desse
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quadrado é, portanto, $x + b/2a$, o que nos dá a identidade
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\begin{align*}
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(x + \fr{b}{2a})^2 = x^2 + \fr{b}{a} + \fr{b^2}{4a^2}.
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\left(x + \fr{b}{2a}\right)^2 = x^2 + \fr{b}{a} + \fr{b^2}{4a^2}.
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\end{align*}
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Assim, podemos resolver a equação por computar
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@ -968,7 +972,7 @@ conjugados $(t + 3)(t - 3)$.
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%% sendo $a, b$ números racionais --- digamos. Essa função é
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%% tipicamente chamada de conjugação. Ela pode ser vista como uma
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%% generalização da conjugação complexa restrita a inteiros
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%% gaussianos, que não números complexos da forma $a + bi$, sendo $a,
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%% gaussianos, que são números complexos da forma $a + bi$, sendo $a,
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%% b$ inteiros. A generalização, portanto, é relaxar os inteiros
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%% gaussianos e permitir racionais. Se definirmos $f$ assim, obtemos
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%% uma contradição quando $n$ é um quadrado perfeito. Por exemplo,
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@ -1018,6 +1022,12 @@ $a, b$ estão em $\{3, 9\}$, mas é preciso saber se tentamos $(5x +
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3)(x + 9)$ ou $(5x + 9)(x + 3)$. Devemos considerar a segunda opção
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primeiro já que $9\times 5 = 45$, muito grande pra $24$.
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Dito tudo isso, o fato é que estamos sempre resolvendo um sistema
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não-linear em que $ab$ é um inteiro e $Lb + a$ é outro. A
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investigação acima é meramente uma tentativa de nos clarificar como
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pensar no problema---como procurar por soluções sem recorrer à equação
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quadrática.
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\subsubsection{Fatoração de soma e diferença de cubos}
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Outros produtos notáveis são a {\em Soma de cubos} e a {\em diferença
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@ -1839,7 +1849,7 @@ Parece que Newton usou alguma ideia bem diferente, evitando o sistema
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de equações lineares, mas não sei o que ele fez. Fica aí como um
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exercício pra um dia descobrir o que ele fez e catalogar a técnica.
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\section{Definitions, limits and continuity}
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\section{Limits and continuity}
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\masciidef{} The absolute value of a number $x$, written $|x|$ is the
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distance from 0 to $x$ on the real line. Distances are always positive,
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@ -6676,8 +6686,8 @@ observações sobre o tema.
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Uma equação diferencial é chamada de {\em ordinária} se a função que
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soluciona a equação depende de apenas uma única váriavel independente,
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ou seja, a função desejada é $y(x)$. Se ela depender de mais de uma
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variável, então trata-se de uma equação diferencial parcial, quando a
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solução é uma função como, por exemplo, $y(x_1, x_2)$.
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variável, então trata-se de uma equação diferencial {\em parcial},
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quando a solução é uma função como, por exemplo, $y(x_1, x_2)$.
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Uma equação é chamada de {\em separável de primeira ordem} quando ela
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pode ser escrita como
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@ -6828,7 +6838,7 @@ diferencial linear de primeira ordem.
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\begin{definition}[linear]
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Uma equação diferencial é linear de $n$-ésima ordem se ela é da forma
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$$f_n(x) y^(n) + f_{n-1}(x)y^(n - 1) + \cdots + f_2(x)y'' + f_(1) y' + f_o(x)y = Q(x).$$
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$$f_n(x) y^{(n)} + f_{n-1}(x)y^{(n - 1)} + \cdots + f_2(x)y'' + f_1(x) y' + f_0(x)y = Q(x).$$
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\end{definition}
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@ -6839,25 +6849,30 @@ resolver a linear de primeira ordem, que é da forma
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\begin{remark*}
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Note que uma equação como $q(x)y' + P(x)y = Q(x)$ ainda é linear de
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primeira ordem porque basta a gente reescrevê-la pra $y' + 1/q(x)
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P(x)y = 1/q(x) Q(x)$.
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primeira ordem porque basta a gente reescrevê-la pra
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$$y' + \fr{1}{q(x)} P(x)y = \fr{1}{q(x)} Q(x).$$
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\end{remark*}
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É nesse tipo de equação que usamos o chamado ``método do fator
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integrante'', que exibiremos agora. O método nos instruir a procurar
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integrante'', que exibiremos agora. O método nos instrui a procurar
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por $f(x)$ que quando multiplicada em ambos os lados da equação
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produza a regra do produto $f(x)y' + f'(x)y = (f(x)y)'$. Ocorre que
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uma tal função de $x$ pode ser sempre $\exp(\int P(x) \dx)$. ``Por
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quê?'' é a pergunta interesse aqui. Antes de exibirmos o porquê,
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quê?'' é a pergunta de interesse aqui. Antes de exibirmos o porquê,
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vejamos o método em ação.
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\begin{exercise*}
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Resolva a equação $y' + \fr{1}{x}y = x^2$. \sol. Primeiro computamos
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$\exp(\int x^{-1} \dx) = \exp(\ln x) = x$. Observe que queremos uma
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função $f(x)$ qualquer, então podemos sempre tomar $c = 0$ na
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integração de $P(x)$. Agora multiplique $x$ em ambos lados da equação,
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obtendo $xy' + x x^{-1}y = x^3$. Observe que o lado esquerdo é
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exatamente $(xy)'$ e, portanto, temos
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Resolva a equação
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$$y' + \fr{1}{x}y = x^2.$$
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\sol. Primeiro computamos $\exp(\int x^{-1} \dx) = \exp(\ln x) =
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x$. Observe que queremos uma função $f(x)$ qualquer, então podemos
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sempre tomar $c = 0$ na integração de $P(x)$. Agora multiplique $x$ em
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ambos lados da equação, obtendo $xy' + x x^{-1}y = x^3$. Observe que o
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lado esquerdo é exatamente $(xy)'$ e, portanto, temos
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\begin{align*}
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xy' + x x^{-1}y &= x^3\\
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@ -6874,52 +6889,35 @@ O método ilustra o fato de que a gente sempre recorre às regras de
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derivação pra conseguir uma integração.
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Uma das perguntas importantes aqui é por que o fator integrante é
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$\int P(x) \dx$. A resposta é na verdade simples. Estamos em busca de
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uma função $I(x)$ tal que
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$\int P(x) \dx$. A resposta é na verdade simples. Estamos em busca
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de uma função $M(x)$ tal que
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%
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$$(M(x)y)' = M(x)y' + M(x)P(x)y.$$
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%
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Expandindo o lado esquerdo, obtemos $M'(x)y + M(x)y$. Agora iguale o
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Expandindo o lado esquerdo, obtemos $M'(x)y + M(x)y'$. Agora iguale o
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lado esquerdo desejado com o lado direito pra obter a equação
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%
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$$M'(x)y + M(x)y = M(x)y' + M(x)P(x)y = M(x)P(x)y + M(x)y'.$$
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$$M'(x)y + M(x)y' = M(x)P(x)y + M(x)y'.$$
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%
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O que nos diz essa equação? Diz-nos que a função que estamos
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procurando satisfaz $M'(x) = M(x) P(x)$. Essa é uma nova equação
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diferencial que na verdade já conhecemos---ela é uma separável de
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primeira ordem. Encontramos uma solução pra ela lendo-a em
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palavras---que função $M(x)$ conhecemos que quando derivada resulta
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nela própria vezes alguma coisa? Essa função $M(x)$ tem que ser
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certamente uma exponencial porque só as exponenciais têm a propriedade
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de que a velocidade de seu crescimento depende de si própria. Esse é
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um fato importante aqui. Agora, pra solucionar a charada por completo,
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declare $u'(t) = P(x)$ (pra alguma transformação que leve $t$ a $x$)
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de forma que $u(t) = \int P(x) \dx$ e reescreva o problema como
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procurando satisfaz $M'(x) = M(x) P(x)$. Que função é essa? Qual é a
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função que quando derivada depende dela própria? É a função
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exponencial de base $e$. Mas e o fator $P(x)$? O fator $P(x)$ só
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aparece na derivada da exponencial quando ele é a derivada do
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expoente. E $P(x)$ é a derivada de $\int P(x) \dx$. Logo,
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$$M'(x) = M(x) u'(t).$$
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Já sabemos que $M(x)$ é uma exponencial e a regra da cadeia implica
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que a variável independente $x$ de $M(x)$ tem que ser $x = u(t)$.
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Assim, obtemos
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$$M'(x) = (M(u(t)))' = M'(u(t))u'(t)$$
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que implica
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$$M(x) = \int M'(x) \dx = \exp\left(\int P(x) \dx\right) P(x) = \exp\left(P(x) \dx\right),$$
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como desejado.
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$$M(x) = \exp\left(\int P(x) \dx\right).$$
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\begin{remark*}
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Essa dedução ficou prolixa. Existe a resposta curta e de pouca emoção
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que é o fato de que
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Agora sabemos que se multiplicarmos ambos os lados de uma equação
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diferencial linear de primeira ordem por $\exp\left(\int P(x)
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\dx\right)$, obteremos no lado esquerdo da equação a derivada do
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produto de $\exp\left(\int P(x) \dx\right)$ por $y$, ou seja,
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obteremos a derivada de
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$$\exp\left(\int P(x) \dx\right)' = \exp(\Int P(x) \dx) P(x) + c.$$
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$$y \exp\left(\int P(x) \dx\right),$$
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Mas todos nós sabemos que é bom exercício induzir a resposta a partir
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de um problema anterior em vez de magicamente aparecer com a resposta
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e mostrar que ela o soluciona.
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\end{remark*}
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restando apenas integrarmos o lado direito da equação com respeito a
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$x$.
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\subsection{As lineares de segunda ordem}
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@ -6935,11 +6933,17 @@ em que $f_2(x)$, $f_1(x)$, $f_0(x)$ são constantes, ou seja, só
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sabemos resolver as equações
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$$ay'' + by' + cy = g(x).$$
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%
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É possível resolver essa equação pra qualquer $g(x)$ diferenciável,
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mas no momento só sabemos tratar o problema quando $g(x)$ toma as
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formas de um polinômio, uma exponencial, uma função trigonométrica ou
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uma combinação dessas.
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As mais fáceis de resolver são aquelas em que $g(x) = 0$ e essas são
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chamadas de {\em homogêneas}. As outras em que $g(x) \neq 0$ são
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chamadas de {\em não-homogêneas}.
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\ghostsection{As homogêneas}. \lipsum[1]
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É possível resolver as não-homogêneas pra qualquer $g(x)$
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diferenciável, mas no momento só sabemos tratar o problema quando
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$g(x)$ toma as formas de um polinômio, uma exponencial, uma função
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trigonométrica ou uma combinação dessas.
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Consideremos primeiro o caso de um polinômio como o da equação
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@ -6947,16 +6951,213 @@ Consideremos primeiro o caso de um polinômio como o da equação
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Um fato curioso sobre essa equação é que a solução geral dela é obtida
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a partir de uma solução particular. E como uma solução particular é
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obtida? Observe o que diz essa equação. Ela diz que $y(x)$ é uma
|
||||
obtida? Observe o que diz essa equação. Ela diz que $y(x)$ é uma
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função tal que sua segunda derivada mais duas vezes sua primeira
|
||||
derivada mais três vezes ela própria é um polinômio quadrático. A
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||||
gente pode especular que $y(x)$ é um polinômio também porque todas as
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derivadas de um polinômio é um polinômio, incluindo suas somas e
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derivadas de um polinômio são um polinômio, incluindo suas somas e
|
||||
constantes múltiplos.
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||||
Hm. Na verdade comecei pelas não-homogêneas. Vamos retroceder e
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considerar as homogêneas primeiro, discutindo especialmente a palavra
|
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``homogênea''.
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\section{Physics}
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Tudo em física tem direção e unidade. É um bom hábito computar
|
||||
aritmética sempre com as unidades---requer paciência de escrever e
|
||||
cancelá-las---e prestando atenção à direção em que as coisas se movem.
|
||||
|
||||
Como não podemos usar calculadora na prova, precisamos ganhar
|
||||
intimidade com computar números. Quando estiver incerto sobre a
|
||||
solução de um problema, use a calculadora pra rapidamente saber se
|
||||
realmente o raciocínio está certo. Depois disso, dê uma olhada e veja
|
||||
o que tem de difícil nas contas e procure facilitá-los. Por exemplo,
|
||||
descarte todas a super-precisão desnecessária, faça arredondamentos e
|
||||
use os teoremas que facilitam contas---o que é uma arte admirável.
|
||||
Viver sem calculadora é excelente desenvolvimento, mas usemo-na sempre
|
||||
que útil---quando em pressa, por exemplo.
|
||||
|
||||
\ghostsection{Como se converte unidades}. Uma estratégia muito útil em
|
||||
converter unidades é considerar a relação entre duas unidades como uma
|
||||
fração de valor 1. Por exemplo, se 1 hora é 3600 segundos, então
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%
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$$1 \text{ h} = 3600 \text{ s} \text{ implica } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = 1 $$
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%
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||||
Agora, se você quer converter 1800 segundos pra horas, basta
|
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multiplicar pela razão 1 acima, obtendo
|
||||
%
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$$1800 \text{ s} = 1800 \text{ s } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = \fr{ 1800\text{ h}}{3600} = \fr{1}{2} \text{ h},$$
|
||||
%
|
||||
como desejado.
|
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||||
Observe que se você quer conversão pras horas, então sua razão terá as
|
||||
horas no numerador porque assim os segundos no denominador cancelarão
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||||
os segundos que estão no numerador. Por ``segundos'' quero dizer a
|
||||
constante ``s'' que representa a unidade em si.
|
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Assim você converte qualquer coisa com facilidade.
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|
||||
\ghostsection{De volta ao movimento unidimensional}. Eis o primeiro
|
||||
problema do IF. Existe algum jeito mais simples de computar as
|
||||
respostas aqui? Como só conhecemos uma única fórmula, sempre a
|
||||
aplicamos, mas você verá à frente que minha gatinha tinha um
|
||||
Torricelli na manga.
|
||||
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||||
\begin{exercise*}
|
||||
Um motorista freia seu carro uniformemente de forma que a velocidade
|
||||
cai de 72 pra 26 km/h em 5 segundos. Que distância o carro percorre
|
||||
depois disso até parar? Quanto tempo levará pra percorrer essa
|
||||
distância adicional? \sol. Não sei resolver. Qual é o meu problema?
|
||||
Não sei que fórmula usar. Sei obter a aceleração do carro. Ele está
|
||||
freiando, então tem uma aceleração negativa. Aceleração é a variação
|
||||
da velocidade sobre o tempo. Então temos $a = (72 - 36)/(0 - 5) =
|
||||
-7.2$ km/h. Aqui já cabe uma pergunta---devemos responder $-7.2$ km/h,
|
||||
que tem dois algarismos significativos ou devemos dizer $-7$ km/h, já
|
||||
que os dados contêm apenas um significativo? Digo que devemos
|
||||
responder $-7$ km/h pra respeitar o sistema internacional. Se a prova
|
||||
for discursiva, explicar esse fato; se não, marcar a melhor opção---é
|
||||
o mais sensato a fazer aqui. (Mas note que nesse problema
|
||||
especialmente, usar o $-7.2$ é o melhor a fazer porque as contas vão
|
||||
dar mais certo usando-o. A gente só deve respeitar o sistema
|
||||
internacional quando reportamos os valores finais.)
|
||||
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Okay, temos a aceleração---e agora? Lembro perfeitamente da fórmula
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$$x(t) = x_0 + v_0 t + \fr{1}{2}a t^2,$$
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mas nem sei como usá-la pra resolver esse problema.
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Ah, espere um momento! Sei como descobrir $x(5)$ porque sei a
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velocidade e a posição em $t=0$ e tenho a aceleração. O carro então
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depois de 5 segundos está em $x = 0.075$ km, ou seja, posição $75$
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metros, conta que obtive na calculadora (primeiro incorretamente,
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depois incorretamente de novo e por último corretamente). Podemos
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agora descobrir em que posição ele estará quando sua velocidade chegar
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a zero? Não tenho uma fórmula pra velocidade. Ah, compute a derivada
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de $x(t)$ pra obter
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$$v(t) = x'(t) = v_0 + at.$$
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Aos 5 segundos, a velocidade inicial do carro vai ser 36 km/h e
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queremos $t$ tal que $v(t) = 0$, obtendo o problema
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$$0 = \fr{36}{3600} + \left(\fr{-7.2}{3600}\right)t$$
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cuja solução dá
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$$t = \fr{36}{7.2} = 5 \text{ segundos}.$$
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Note que não escrevemos as unidades aqui por economia de tempo. A
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computação de 36/7.2 foi feita por calculadora. No papel, faríamos
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$360 \div 72$, que é uma conta fácil de fazer. A conta que não é
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fácil de fazer nesse problema é a conta que nos leva ao fato de que
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nos 5 segundos iniciais, o carro percorre $0.75$ km, mas nem pensei em
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como facilitá-la.
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Anyway, o carro percorre mais 5 segundos até parar. Portanto, pra
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obter a distância adicional percorrida, queremos
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$$x(10) - x(5)= 0.1 - 0.075 = 0.025 \text{ km},$$
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ou seja, o carro ainda se desloca por mais 25 metros, o que levou mais
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5 segundos. Note que a segunda pergunta do problema foi respondida
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primeiro---vida normal.
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\end{exercise*}
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\begin{remark*}
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Eis a importância de se usar calculadora. Mesmo usando-a, errei o
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valor obtido em $x(5)$ e depois acertei em $x(10)$. Usando Python,
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consegui descobrir isso rapidamente, mas teria levado talvez horas pra
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descobrir se estivesse calculando na mão. O cansaço decorrente não
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compensa o desgosto gerado uma vez que estamos realmente preocupados
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em cobrir terreno porque temos uma prova a fazer em breve. Parece boa
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a estratégia de refazer as contas (quando elas estiverem certas)
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observando o que podemos facilitar na computação. (LOL---tinha erro na
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fórmula Python, então tive que corrigir novamente. Agora é enfática a
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importância de calculadora aqui, isto é, de um computador mesmo.)
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\end{remark*}
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\ghostsection{A equação de Torricelli}. A equação de Torricelli
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relaciona a velocidade diretamente com a aceleração sem envolver o
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tempo. Ela é
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$$v^2 = v_0^2 + 2a \Delta x$$
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Sendo assim, veja como podemos aplicá-la no problema
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abaixo---agradecimentos à gatinha mais linda do mundo.
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\begin{exercise*}
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Com que velocidade uma bola deve ser lançada verticalmente pra cima
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pra que a bola alcance a altura máxima de 50m? Quanto tempo ela ficará
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no ar? Desenhe os gráficos $y$, $v$ e $a$ {\em versus} $t$. Indique
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nos dois primeiros gráficos o instante em que ela alcança os
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50m. \sol. Computei a derivada de $y(t) = 0 + v_0 t + (1/2) (-9.8)
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t^2$ pra obter $v(t) = v_0 - 9.8 t$ e assim isolei $t =
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v_0/9.8$. Então consegui eliminar $t$, substituindo $v_0/9.8$ em
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$y(t)$, obtendo
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\begin{align*}
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y(t) = \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{9.8}{2} \fr{v_0^2}{9.8^2}
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= \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{v_0^2}{2 \cdot 9.8}
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= \fr{v_0^2}{9.8} \left(1 - \fr{1}{2}\right)
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= \fr{v_0^2}{9.8} \cdot \fr{1}{2}
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\end{align*}
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Como queremos altura de 50m, obtemos a quadrática
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\begin{align*}
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50 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
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100 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
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980 &= v_0^2\\
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31.30 &= v_0,
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\end{align*}
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como desejado. Agora, quando prosseguimos pra perguntar quanto tempo
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leva pra essa bola alcançar esses 50m, obtemos a quadrática $-4.9t^2 +
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31.30 t - 50 = 0$, que não tem raiz. Como pode? O problema não tem
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como estar errado. Queremos lançar uma bola pra cima até atingir 50m e
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contabilizar o tempo---isso é perfeitamente físico. Estamos errados em
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algum lugar. Como nossa $v_0$ casa com o gabarito, é na produção da
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quadrática que estamos errados---aritmética! (A gente erra muita
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aritmética.) Mas a aritmética parece correta, então física é uma coisa
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muito perplexante.
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O problema é o seguinte. Quando usamos o valor $v_0 = 31.30$ m/s, a
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gente tá fazendo uma aproximação. Com 6 algarismos significativos,
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$v_0 = 31.3049$. Quando montamos a quadrática com $v_0 = 31.30$, o
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erro de arredontamento fez uma quadrática que não tinha raiz. Não
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deveríamos ter-nos interrompido: bastava procurar pelo ponto máximo
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dela que encontraríamos $t = 3.1938 \approx 3.2$, de onde obteríamos a
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resposta correta $t = 6.4$ (ida e volta). Se em vez de $v_0 = 31.30$,
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tivéssemos arredondado pra $v_0 = 31.305$, encontraríamos a quadrática
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$-4.9t^2 + 31.305 t - 50 = 0$, que tem raiz $t \approx 3.18$.
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\end{exercise*}
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\begin{remark*}
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O fato é que esse problema precisa ser resolvido do zero
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novamente. Tem formas muito mais fáceis de se raciocinar aí. A gente
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resolveu o problema colocando a origem em $y = 0$, mas poderíamos
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colocá-la no ápice da altura (ou seja, a 50 m do chão), onde $v_0 =
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0$. Assim, o termo linear da quadrática some e obtemos a equação
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\begin{align*}
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-50 &= v_0 t + \fr{1}{2} a t^2\\
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&= 0 \cdot t + \fr{1}{2} (-9.8) t^2\\
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50 &= \fr{1}{2} (9.8) t^2\\
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100 &= (9.8) t^2\\
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t &= \sqrt{\left(\fr{100}{9.8}\right)}\\
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t &= 3.1943,
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\end{align*}
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como desejado. Note que agora a posição desejada é $-50$ porque
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colocamos o ápice da bola como $y = 0$ e então ela vai cair 50 metros,
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ficando no lado negativo do eixo $y$.
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\end{remark*}
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\begin{remark*}
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Sabe o que é curioso? Errei a aritmética quando computei o comentário
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acima. Em vez de dividir 100 por 9.8, eu multipliquei 100 por 9.8,
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obtendo 980, cuja raiz é exatamente $v_0$, a velocidade com que a bola
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precisa partir pra chegar com velocidade zero a 50 metros. Sim, rolou
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um momento de perplexidade.
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\end{remark*}
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\newpage \tableofcontents
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\newpage \printbibliography
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