Compare commits
1 commit
| Author | SHA1 | Date | |
|---|---|---|---|
|
|
2dd1879ac0 |
2 changed files with 0 additions and 200 deletions
BIN
calculus.pdf
BIN
calculus.pdf
Binary file not shown.
200
calculus.tex
200
calculus.tex
|
|
@ -6958,206 +6958,6 @@ gente pode especular que $y(x)$ é um polinômio também porque todas as
|
||||||
derivadas de um polinômio são um polinômio, incluindo suas somas e
|
derivadas de um polinômio são um polinômio, incluindo suas somas e
|
||||||
constantes múltiplos.
|
constantes múltiplos.
|
||||||
|
|
||||||
\section{Physics}
|
|
||||||
|
|
||||||
Tudo em física tem direção e unidade. É um bom hábito computar
|
|
||||||
aritmética sempre com as unidades---requer paciência de escrever e
|
|
||||||
cancelá-las---e prestando atenção à direção em que as coisas se movem.
|
|
||||||
|
|
||||||
Como não podemos usar calculadora na prova, precisamos ganhar
|
|
||||||
intimidade com computar números. Quando estiver incerto sobre a
|
|
||||||
solução de um problema, use a calculadora pra rapidamente saber se
|
|
||||||
realmente o raciocínio está certo. Depois disso, dê uma olhada e veja
|
|
||||||
o que tem de difícil nas contas e procure facilitá-los. Por exemplo,
|
|
||||||
descarte todas a super-precisão desnecessária, faça arredondamentos e
|
|
||||||
use os teoremas que facilitam contas---o que é uma arte admirável.
|
|
||||||
Viver sem calculadora é excelente desenvolvimento, mas usemo-na sempre
|
|
||||||
que útil---quando em pressa, por exemplo.
|
|
||||||
|
|
||||||
\ghostsection{Como se converte unidades}. Uma estratégia muito útil em
|
|
||||||
converter unidades é considerar a relação entre duas unidades como uma
|
|
||||||
fração de valor 1. Por exemplo, se 1 hora é 3600 segundos, então
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$1 \text{ h} = 3600 \text{ s} \text{ implica } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = 1 $$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
Agora, se você quer converter 1800 segundos pra horas, basta
|
|
||||||
multiplicar pela razão 1 acima, obtendo
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$1800 \text{ s} = 1800 \text{ s } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = \fr{ 1800\text{ h}}{3600} = \fr{1}{2} \text{ h},$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
como desejado.
|
|
||||||
|
|
||||||
Observe que se você quer conversão pras horas, então sua razão terá as
|
|
||||||
horas no numerador porque assim os segundos no denominador cancelarão
|
|
||||||
os segundos que estão no numerador. Por ``segundos'' quero dizer a
|
|
||||||
constante ``s'' que representa a unidade em si.
|
|
||||||
|
|
||||||
Assim você converte qualquer coisa com facilidade.
|
|
||||||
|
|
||||||
\ghostsection{De volta ao movimento unidimensional}. Eis o primeiro
|
|
||||||
problema do IF. Existe algum jeito mais simples de computar as
|
|
||||||
respostas aqui? Como só conhecemos uma única fórmula, sempre a
|
|
||||||
aplicamos, mas você verá à frente que minha gatinha tinha um
|
|
||||||
Torricelli na manga.
|
|
||||||
|
|
||||||
\begin{exercise*}
|
|
||||||
Um motorista freia seu carro uniformemente de forma que a velocidade
|
|
||||||
cai de 72 pra 26 km/h em 5 segundos. Que distância o carro percorre
|
|
||||||
depois disso até parar? Quanto tempo levará pra percorrer essa
|
|
||||||
distância adicional? \sol. Não sei resolver. Qual é o meu problema?
|
|
||||||
Não sei que fórmula usar. Sei obter a aceleração do carro. Ele está
|
|
||||||
freiando, então tem uma aceleração negativa. Aceleração é a variação
|
|
||||||
da velocidade sobre o tempo. Então temos $a = (72 - 36)/(0 - 5) =
|
|
||||||
-7.2$ km/h. Aqui já cabe uma pergunta---devemos responder $-7.2$ km/h,
|
|
||||||
que tem dois algarismos significativos ou devemos dizer $-7$ km/h, já
|
|
||||||
que os dados contêm apenas um significativo? Digo que devemos
|
|
||||||
responder $-7$ km/h pra respeitar o sistema internacional. Se a prova
|
|
||||||
for discursiva, explicar esse fato; se não, marcar a melhor opção---é
|
|
||||||
o mais sensato a fazer aqui. (Mas note que nesse problema
|
|
||||||
especialmente, usar o $-7.2$ é o melhor a fazer porque as contas vão
|
|
||||||
dar mais certo usando-o. A gente só deve respeitar o sistema
|
|
||||||
internacional quando reportamos os valores finais.)
|
|
||||||
|
|
||||||
Okay, temos a aceleração---e agora? Lembro perfeitamente da fórmula
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$x(t) = x_0 + v_0 t + \fr{1}{2}a t^2,$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
mas nem sei como usá-la pra resolver esse problema.
|
|
||||||
|
|
||||||
Ah, espere um momento! Sei como descobrir $x(5)$ porque sei a
|
|
||||||
velocidade e a posição em $t=0$ e tenho a aceleração. O carro então
|
|
||||||
depois de 5 segundos está em $x = 0.075$ km, ou seja, posição $75$
|
|
||||||
metros, conta que obtive na calculadora (primeiro incorretamente,
|
|
||||||
depois incorretamente de novo e por último corretamente). Podemos
|
|
||||||
agora descobrir em que posição ele estará quando sua velocidade chegar
|
|
||||||
a zero? Não tenho uma fórmula pra velocidade. Ah, compute a derivada
|
|
||||||
de $x(t)$ pra obter
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$v(t) = x'(t) = v_0 + at.$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
Aos 5 segundos, a velocidade inicial do carro vai ser 36 km/h e
|
|
||||||
queremos $t$ tal que $v(t) = 0$, obtendo o problema
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$0 = \fr{36}{3600} + \left(\fr{-7.2}{3600}\right)t$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
cuja solução dá
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$t = \fr{36}{7.2} = 5 \text{ segundos}.$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
Note que não escrevemos as unidades aqui por economia de tempo. A
|
|
||||||
computação de 36/7.2 foi feita por calculadora. No papel, faríamos
|
|
||||||
$360 \div 72$, que é uma conta fácil de fazer. A conta que não é
|
|
||||||
fácil de fazer nesse problema é a conta que nos leva ao fato de que
|
|
||||||
nos 5 segundos iniciais, o carro percorre $0.75$ km, mas nem pensei em
|
|
||||||
como facilitá-la.
|
|
||||||
|
|
||||||
Anyway, o carro percorre mais 5 segundos até parar. Portanto, pra
|
|
||||||
obter a distância adicional percorrida, queremos
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$x(10) - x(5)= 0.1 - 0.075 = 0.025 \text{ km},$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
ou seja, o carro ainda se desloca por mais 25 metros, o que levou mais
|
|
||||||
5 segundos. Note que a segunda pergunta do problema foi respondida
|
|
||||||
primeiro---vida normal.
|
|
||||||
\end{exercise*}
|
|
||||||
|
|
||||||
\begin{remark*}
|
|
||||||
Eis a importância de se usar calculadora. Mesmo usando-a, errei o
|
|
||||||
valor obtido em $x(5)$ e depois acertei em $x(10)$. Usando Python,
|
|
||||||
consegui descobrir isso rapidamente, mas teria levado talvez horas pra
|
|
||||||
descobrir se estivesse calculando na mão. O cansaço decorrente não
|
|
||||||
compensa o desgosto gerado uma vez que estamos realmente preocupados
|
|
||||||
em cobrir terreno porque temos uma prova a fazer em breve. Parece boa
|
|
||||||
a estratégia de refazer as contas (quando elas estiverem certas)
|
|
||||||
observando o que podemos facilitar na computação. (LOL---tinha erro na
|
|
||||||
fórmula Python, então tive que corrigir novamente. Agora é enfática a
|
|
||||||
importância de calculadora aqui, isto é, de um computador mesmo.)
|
|
||||||
\end{remark*}
|
|
||||||
|
|
||||||
\ghostsection{A equação de Torricelli}. A equação de Torricelli
|
|
||||||
relaciona a velocidade diretamente com a aceleração sem envolver o
|
|
||||||
tempo. Ela é
|
|
||||||
%
|
|
||||||
$$v^2 = v_0^2 + 2a \Delta x$$
|
|
||||||
%
|
|
||||||
Sendo assim, veja como podemos aplicá-la no problema
|
|
||||||
abaixo---agradecimentos à gatinha mais linda do mundo.
|
|
||||||
|
|
||||||
\begin{exercise*}
|
|
||||||
Com que velocidade uma bola deve ser lançada verticalmente pra cima
|
|
||||||
pra que a bola alcance a altura máxima de 50m? Quanto tempo ela ficará
|
|
||||||
no ar? Desenhe os gráficos $y$, $v$ e $a$ {\em versus} $t$. Indique
|
|
||||||
nos dois primeiros gráficos o instante em que ela alcança os
|
|
||||||
50m. \sol. Computei a derivada de $y(t) = 0 + v_0 t + (1/2) (-9.8)
|
|
||||||
t^2$ pra obter $v(t) = v_0 - 9.8 t$ e assim isolei $t =
|
|
||||||
v_0/9.8$. Então consegui eliminar $t$, substituindo $v_0/9.8$ em
|
|
||||||
$y(t)$, obtendo
|
|
||||||
%
|
|
||||||
\begin{align*}
|
|
||||||
y(t) = \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{9.8}{2} \fr{v_0^2}{9.8^2}
|
|
||||||
= \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{v_0^2}{2 \cdot 9.8}
|
|
||||||
= \fr{v_0^2}{9.8} \left(1 - \fr{1}{2}\right)
|
|
||||||
= \fr{v_0^2}{9.8} \cdot \fr{1}{2}
|
|
||||||
\end{align*}
|
|
||||||
%
|
|
||||||
Como queremos altura de 50m, obtemos a quadrática
|
|
||||||
%
|
|
||||||
\begin{align*}
|
|
||||||
50 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
|
|
||||||
100 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
|
|
||||||
980 &= v_0^2\\
|
|
||||||
31.30 &= v_0,
|
|
||||||
\end{align*}
|
|
||||||
%
|
|
||||||
como desejado. Agora, quando prosseguimos pra perguntar quanto tempo
|
|
||||||
leva pra essa bola alcançar esses 50m, obtemos a quadrática $-4.9t^2 +
|
|
||||||
31.30 t - 50 = 0$, que não tem raiz. Como pode? O problema não tem
|
|
||||||
como estar errado. Queremos lançar uma bola pra cima até atingir 50m e
|
|
||||||
contabilizar o tempo---isso é perfeitamente físico. Estamos errados em
|
|
||||||
algum lugar. Como nossa $v_0$ casa com o gabarito, é na produção da
|
|
||||||
quadrática que estamos errados---aritmética! (A gente erra muita
|
|
||||||
aritmética.) Mas a aritmética parece correta, então física é uma coisa
|
|
||||||
muito perplexante.
|
|
||||||
|
|
||||||
O problema é o seguinte. Quando usamos o valor $v_0 = 31.30$ m/s, a
|
|
||||||
gente tá fazendo uma aproximação. Com 6 algarismos significativos,
|
|
||||||
$v_0 = 31.3049$. Quando montamos a quadrática com $v_0 = 31.30$, o
|
|
||||||
erro de arredontamento fez uma quadrática que não tinha raiz. Não
|
|
||||||
deveríamos ter-nos interrompido: bastava procurar pelo ponto máximo
|
|
||||||
dela que encontraríamos $t = 3.1938 \approx 3.2$, de onde obteríamos a
|
|
||||||
resposta correta $t = 6.4$ (ida e volta). Se em vez de $v_0 = 31.30$,
|
|
||||||
tivéssemos arredondado pra $v_0 = 31.305$, encontraríamos a quadrática
|
|
||||||
$-4.9t^2 + 31.305 t - 50 = 0$, que tem raiz $t \approx 3.18$.
|
|
||||||
\end{exercise*}
|
|
||||||
|
|
||||||
\begin{remark*}
|
|
||||||
O fato é que esse problema precisa ser resolvido do zero
|
|
||||||
novamente. Tem formas muito mais fáceis de se raciocinar aí. A gente
|
|
||||||
resolveu o problema colocando a origem em $y = 0$, mas poderíamos
|
|
||||||
colocá-la no ápice da altura (ou seja, a 50 m do chão), onde $v_0 =
|
|
||||||
0$. Assim, o termo linear da quadrática some e obtemos a equação
|
|
||||||
%
|
|
||||||
\begin{align*}
|
|
||||||
-50 &= v_0 t + \fr{1}{2} a t^2\\
|
|
||||||
&= 0 \cdot t + \fr{1}{2} (-9.8) t^2\\
|
|
||||||
50 &= \fr{1}{2} (9.8) t^2\\
|
|
||||||
100 &= (9.8) t^2\\
|
|
||||||
t &= \sqrt{\left(\fr{100}{9.8}\right)}\\
|
|
||||||
t &= 3.1943,
|
|
||||||
\end{align*}
|
|
||||||
%
|
|
||||||
como desejado. Note que agora a posição desejada é $-50$ porque
|
|
||||||
colocamos o ápice da bola como $y = 0$ e então ela vai cair 50 metros,
|
|
||||||
ficando no lado negativo do eixo $y$.
|
|
||||||
\end{remark*}
|
|
||||||
|
|
||||||
\begin{remark*}
|
|
||||||
Sabe o que é curioso? Errei a aritmética quando computei o comentário
|
|
||||||
acima. Em vez de dividir 100 por 9.8, eu multipliquei 100 por 9.8,
|
|
||||||
obtendo 980, cuja raiz é exatamente $v_0$, a velocidade com que a bola
|
|
||||||
precisa partir pra chegar com velocidade zero a 50 metros. Sim, rolou
|
|
||||||
um momento de perplexidade.
|
|
||||||
\end{remark*}
|
|
||||||
|
|
||||||
\newpage \tableofcontents
|
\newpage \tableofcontents
|
||||||
\newpage \printbibliography
|
\newpage \printbibliography
|
||||||
|
|
|
||||||
Loading…
Reference in a new issue