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TeX
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\documentclass{article}
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\usepackage[utf8]{inputenc}
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\usepackage[english,brazil]{babel} % lista todos os idiomas aqui
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\usepackage[a4paper,margin=2cm]{geometry}
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\usepackage{mdframed}
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\usepackage[T1]{fontenc}
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\usepackage[colorlinks=true, linkcolor=black]{hyperref}
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\usepackage{amsmath,amsthm,amssymb}
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\usepackage{icomma}
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\allowdisplaybreaks
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\theoremstyle{definition}
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\newtheorem{theorem}{Teorema}[section]
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\newtheorem{definition}{Definição}[section]
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\newtheorem{lemma}[theorem]{Lema}
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\newtheorem{proposition}[theorem]{Proposição}
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\newtheorem{corollary}[theorem]{Corolário}
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\newtheorem{exercise}{Exercício}[section]
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\newtheorem{remark}{Comentário}[section]
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\newtheorem{axiom}{Axioma}[section]
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\newtheorem*{theorem*}{Teorema}
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\newtheorem*{definition*}{Definição}
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\newtheorem*{lemma*}{Lema}
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\newtheorem*{proposition*}{Proposição}
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\newtheorem*{corollary*}{Corolário}
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\newtheorem*{exercise*}{Exercício}
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\newtheorem*{remark*}{Comentário}
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\newtheorem*{notation*}{Notação}
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\newtheorem*{axiom*}{Axioma}
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%% --8<-------------------------------------------------------->8---
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%% Sometimes I wanna make a section without making it a real section,
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%% so let's call it a ghostsection. Because I currently write with no
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%% paragraph skip at all, I'm using the math-mode space skip to
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%% separate the section from the text (of the previous section). A
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%% ghost section is cute---check it out. Notice that the
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%% responsibility of adding a period after the bold title is the
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%% user's.
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\newcommand{\ghostsection}[1]{{\vskip\the\belowdisplayskip\noindent{\bf #1}}}
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%% Yeah, TeX is very cryptic---I know. It's really a different world.
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%% --8<-------------------------------------------------------->8---
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%% A shortcut to \dfrac.
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\newcommand{\fr}{\dfrac}
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%% A shortcut to writing "Solution".
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\newcommand{\sol}{{\em Solução}}
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%% --8<---------------cut here---------------start------------->8---
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%% Bibliografia et cetera.
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\usepackage[backend=bibtex]{biblatex}
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\addbibresource{refs.bib}
|
|
%% --8<---------------cut here---------------end--------------->8---
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\title{Physics}
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\author{Ruth Hernández \& husband}
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\date{March 16, 2026}
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\begin{document}\maketitle\selectlanguage{brazil}
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\setlength{\parskip}{0.3cm}
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%% \setlength{\parindent}{0pt}
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[16/03/2026 - 01:54] Oi, meu amor. Acabei me sentindo meio elétrica
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agora de madrugada, então comecei a ler o livro de Física do H. Moysés
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Nussenzveing. Para poder registrar melhor o que vou pensar e aprender
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durante esse curso, resolvi escrever esse documento. Espero poder
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saber e conseguir expressar tudo que absorvi durante os estudos.
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O Moysés inicia o livro com a seguinte pergunta "Para que serve a
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física?". A primeira coisa que respondi -- mentalmente -- foi: para
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tentar compreender a natureza. Depois me veio a seguinte pergunta: e
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quando o homem começou a pensar nisso?! Para responder essa pergunta
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achei que seria legal se conseguirmos construir a história, assim como
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fizemos ao falar sobre Israel. A história nos diz os primeiros
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questionamentos começaram a surgir na Grécia Antiga. Aí me fiz outra
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pergunta: O que é a Grécia? Sempre escutamos falar sobre duas polis
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dela, então para compreender isso melhor, vamos estudar a Antiguidade
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Clássica: origem e formação.
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\tableofcontents
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\section{História da Física}
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\subsection{Civilização Grega: origem e construção}
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Começamos em aproximadamente 1600-1100 a.C., com a Civilização
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Micênica (formada por povos indo-europeus: jônios, aqueus e eólios),
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que habitavam em torno da Ilha de Creta. Por volta de 1450 a.C. eles
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conquistam a Ilha de Creta onde vivia a Civilização Minoica. E então,
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absorvem muitos elementos da cultura minoica, formando a Civilização
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Creto-Micênica. Esse é o período que chamamos de Pré-Homérico. Em 1200
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a.C. com a chegada dos Dórios na região, a Civilização Creto-Micênica
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é desestabilizada. Por conta dessa desordem e violência dos Dórios, o
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povo começa a se organizar em pequenos grupos chamados Genos e também
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ocorre a 1a Diáspora Grega. Esses episódios marcam o início do período
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Homérico -- esse período recebe esse nome pois tudo que sabemos sobre
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ele vem das obras do poeta Homero, principalmente os poemas Ilíada
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(que trata da Guerra de Tróia: com a 1a Diáspora Grega, os gregos vão
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para a Ásia Menor (antes chamada Anatólia, e atual Turquia), e é nessa
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região que vamos ter os eventos contados nas obras de Homero.) e
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Odisseia.
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Nesse período a terra era comunal, apenas administrada pelos Genos,
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não existia propriedade privada e nem desigualdade social. O que
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definia um status dentro do Genos eram os laços de família, é a partir
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daí que no período Homérico surge a formação de uma nobreza gentílica,
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uma aristocracia gentílica que serão os chamados "eupátridas" --
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eupátridas são os descendentes daqueles que foram os primeiros a
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formarem os Genos/Comunidade Gentílica. No século VII a.C., quando os
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eupátridas resolvem se apropriar das melhores terras, temos a
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concentração de poder e terras. Sendo assim a população é
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desestabilizada, deixam de ser proprietários e se tornam camponeses --
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chamados de Georgóis. Com essa queda e perda de poder, os gregos que
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resolvem fugir para outras regiões (saem da Península Balcânica para o
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sul da Itália) fazem a 2a Diáspora Grega, o que marca o fim do período
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Homérico.
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Então começa a formação das colônias gregas, que marca o início do
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Período Arcaíco. Nesse período os Genos começam a formas as
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cidades-estados independentes, as Polis. A Grécia nunca será um país,
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uma nação porque não possuía uma unificação política e
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administrativa. Eles apenas haviam unificação de língua, cultura e
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religião. Existiam várias cidades-estados na antiga Hélade (Grécia),
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mas os modelos principais são: Atenas e Esparta. Atenas representa
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tudo aquilo que esperamos da Grécia: democracia, cultura, teatro, e
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filosofia. Por outro lado, temos Esparta com uma sociedade
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militarizada e poder oligárquico (na mão de poucas pessoas), sua
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cultura é chama de: laconismo -- A região onde Esparta se encontra, na
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península do Peloponeso, se chama Lacônia. -- Uma pessoa lacônica
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seria do tipo: Não pense, faça!
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Agora vamos seguir por Atenas, e estudar o desenvolvimento dessa
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polis. Já vimos que os eupátridas ( = filhos de bons pais) são os
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descendentes dos primeiros a formarem os Genos, e vão se apoderando
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das melhores terras. Sabemos que os georgóis são aqueles que perderam
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suas terras, e grande parte deles vão para outras regiões: 2a Diáspora
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Grega, o marco do fim do Período Homérico e início do Período
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Arcaíco. Todo esse movimento impulsiona o desenvolvimento do comércio
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e do artesanato. Esse grupo que surge são chamados de
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"demiurgos". Grupo esse que começa a enriquecer, que começa a
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construir poder econômico. Sendo assim, os georgóis e os demiurgos
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começam a pressionar os eupátridas por mudanças em Atenas. Os
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(comerciantes) demiurgos querem mais participação política, e os
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georgóis querem melhorias em suas condições econômicas. Em meio a
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tantas lutas sociais em Atenas, teremos: os reformadores. Eles irão
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trabalhar em reformas e mudanças de acordo com a pressão dos demiurgos
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e georgóis. O primeiro dos reformadores será Dracon, ele vai propor a
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escrituração das leis de Atenas. Mas ele não agradou muito os
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demiurgos e georgóis, então entra o segundo reformador: Sólon. Sólon
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propõe uma reogarnização da sociedade, ao invés de serem divididos por
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laço sanguíneo, serem divididos de acordo com a renda, com a riqueza.
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\subsection{Filosofia e o início das Ciências Exatas}
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É nesse cenário de reformas que a filosofia surge na Grécia. Sólon
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caminhava em direção á democracia (démokratía, de dêmos 'povo' +
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kratía 'força, poder'), e o povo cada vez mais passou a questionar a
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sua realidade e a buscar respostas racionais em vez de aceitar tudo
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como natural. As repostas não vinham mais dos deuses e sim de qualquer
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um que tomasse a atitude de pensar e explicar ela. Os primeiros
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filósofos que se tem conhecimento são chamados de pré-socráticos. O
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objeto de estudo deles é a explicação da origem chamada: arché, e da
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natureza: physis. Eles chegam com um estudo racional sobre as
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transformações da natureza.
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Tales de Mileto (640-548 a.C.) é considerado o primeiro filósofo da
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história e faz parte da lista dos Sete Homens Sábios da Grécia. Para
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ele a água era a origem de todas as coisas, e o Universo Alguns feitos
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de Tales foram: o teorema de Tales; descoberta do triângulo isósceles;
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previsão do eclipse solar em 585 a.C.; Explicação sobre as cheias do
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rio Nilo; primeira teoria cosmológica e invenção da filosofia. Tales
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tem como discípulo Anaximandro (610-547 a.C.), era geógrafo, também
|
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matemático, astrônomo e político, Anaximandro afirmava que o infinito
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(apeíron) é a origem de todas as coisas. Foi o primeiro filósofo a
|
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usar a palavra "arché" para se referir a um elemento base para todas
|
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as coisas. Seguindo as ideias de Anaximando, Anaxímenes (588-524 a.C)
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diz que a origem do universo advém do ar. Explicava as mudanças que
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ocorrem na natureza através do processo de condensação e raferação do
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ar. Esses três são os principais representantes da Escola Jônica, e
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abriram caminho para os próximos filósofos.
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Mais tarde, no século VI a.C., temos Pitágoras de Samos e fundou a
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chamada Escola Pitagórica. Para Pitágoras, tudo no universo podia ser
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explicado por relações numéricas. A Escola Pitagórica marcou
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profundamente a filosofia e a ciência ocidental, construíram um forte
|
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legado na matemática: com Teorema de Pitágoras, estudo de proporções e
|
|
números irracionais; na astronomia: com a ideia de que os astros
|
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seguem leis matemáticas; na filosofia: foram influenciados por Tales
|
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de Mileto e pela tradição jônica, mas seguiu um caminho mais abstrado
|
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e matemático e influenciaram Platão, que também via a matemática como
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caminho para compreender o mundo das ideias; e na ciência moderna: a
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noção de que a realidade pode ser descrita por leis matemáticas é um
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dos pilares da física contemporânea. A Escola Pitagórica amplia o
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horizonte filosófico ao introduzir a matemática como chave para
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compreender o universo.
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Surgida no século V a.C. e marcando o fim da filosofia pré-socrática,
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os filósofos -- chamados atomistas -- Leucipo de Mileto e Demócrito de
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Abdera, criam a teoria de que tudo no unverso é formado por partículas
|
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indivisíveis chamadas átomos. Apesar das limitações , o atomismo é
|
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considerado o ponto de partida da teoria atômica moderna, retomada por
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cientistas como Dalton no século XIX.
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Ainda no século V a.C. temos o auge da filosofia grega com o início do
|
|
período Socrático. Com o desenvolvimento da pólis e da democrácia
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ateniense, Sócrates traz uma mudança de foco do estudo da natureza
|
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para a análise do ser humano e sua conduta. Trabalha na necessidade de
|
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discutir valores, leis e convivëncia social. Fazendo esse
|
|
deslocamento, Sócrates, inaugura uma tradição que mais tarde molda
|
|
toda a filosofia ocidental. Tudo que sabemos sobre Sócrates vem dos
|
|
livros escritos por seu discípulo Platão, que inicía o Período
|
|
Clássico e continua preservando as ideias do pensamento socrático,
|
|
desenvolvendo a Teoria das Ideias. Para Platão, os fenômenos físicos
|
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eram comparáveis a sombras na caverna: não revelavam a essência,
|
|
apenas aparências. Mais tarde, Aristóteles sistematizou esse tipo de
|
|
investigação e a chamou de metafísica. Aristóteles foi o grande
|
|
sistematizador da filosofia antiga, trazendo a investigação para o
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|
campo da experiência e criando bases que sustentaram tanto a filosofia
|
|
quanto as ciências por séculos, classificou e sistematizou áreas como
|
|
biologia, física, política e ética.
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|
|
|
Aristóteles foi um dos primeiros grandes estudiosos da física,
|
|
entendida na Antiguidade como o estudo da natureza e do movimento. Sua
|
|
“Física” não corresponde à ciência moderna, mas estabeleceu conceitos
|
|
fundamentais como movimento, causa, tempo e lugar natural, que
|
|
dominaram o pensamento ocidental por quase dois milênios. O tratado
|
|
Física (em oito livros) é considerado a base da filosofia natural. A
|
|
Física Aristotélica têm como conceitos centrais, sendo eles os quatro
|
|
elementos: terra, água, ar e fogo; lugares naturais: cada elemento
|
|
tende a ocupar uma posição específica em relação ao centro da Terra
|
|
(que Arístoteles considerava o centro do universo); gravidade e
|
|
leviandade: objetos caem ou sobem para alcançar seu lugar natural;
|
|
movimento retilíneo: resultado da busca pelo lugar natural, em linha
|
|
reta e com velocidade constante; ato e potência: explicação filosófica
|
|
para mudança, tudo que existe pode estar em potência (possibilidade)
|
|
ou em ato (realização); tempo: definido como a medida do movimento em
|
|
relação ao "antes" e "depois".
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|
|
|
Apesar de “ingênua” em termos científicos modernos, foi um esforço
|
|
pioneiro de racionalização da natureza e influenciou profundamente a
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ciência e filosofia. A física aristotélica foi adotada pela
|
|
Escolástica e permaneceu como referência até o Renascimento. Não
|
|
incluía experimentação sistemática nem matemática rigorosa; por isso
|
|
foi superada por Galileu e Newton.
|
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\subsection{Queda da Grécia e a Ascenção Romana}
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Ainda está em construção, meu amor. Um beijo apertado da sua mocinha
|
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\texttt{<3}
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|
|
Está uma construção bonita e muito gostosa de se ver. Um beijo
|
|
delicado do seu namorado. {\tt <3}
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\section{Medições}
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|
|
Tudo em física tem direção e unidade porque a ciência é a arte de
|
|
medir. Medir significa comparar uma quantidade a uma referência, que
|
|
chamamos de unidade.
|
|
%
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|
\begin{quote}
|
|
``Science, we are often taught, is measurement.''~\cite[capítulo
|
|
2, página 14]{tea}
|
|
\end{quote}
|
|
%
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|
É bom hábito computar aritmética sempre com as
|
|
unidades---requer paciência de escrever e cancelá-las---e prestando
|
|
atenção à direção em que as coisas se movem já que em física tudo tem
|
|
direção (exceto as coisas escalares).
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|
|
|
Como não podemos usar calculadora na prova, precisamos ganhar
|
|
intimidade com computar números. Quando estivermos incertos sobre a
|
|
solução de um problema, usemos a calculadora pra rapidamente saber se
|
|
realmente o raciocínio está certo. Depois disso, demos uma olhada e
|
|
vejamos o que tem de difícil nas contas e procuremos facilitá-las.
|
|
Por exemplo, descartemos toda a super-precisão desnecessária, façamos
|
|
arredondamentos e usemos os teoremas que facilitam contas---o que é
|
|
uma arte admirável. Viver sem calculadora é excelente
|
|
desenvolvimento, mas usemo-na sempre que útil---quando em pressa, por
|
|
exemplo.
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\ghostsection{Como se converte unidades}. Uma estratégia muito útil em
|
|
converter unidades é considerar a relação entre duas unidades como uma
|
|
fração de valor 1. Por exemplo, se 1 hora é 3600 segundos, então
|
|
%
|
|
$$1 \text{ h} = 3600 \text{ s} \text{ implica } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = 1 $$
|
|
%
|
|
Agora, se você quer converter 1800 segundos pra horas, basta
|
|
multiplicar pela razão 1 acima, obtendo
|
|
%
|
|
$$1800 \text{ s} = 1800 \text{ s } \fr{1 \text{ h}}{3600 \text{ s}} = \fr{ 1800\text{ h}}{3600} = \fr{1}{2} \text{ h},$$
|
|
%
|
|
como desejado.
|
|
|
|
Observe que se você quer conversão pras horas, então sua razão terá as
|
|
horas no numerador porque assim os segundos no denominador cancelarão
|
|
os segundos que estão no numerador. Por ``segundos'' quero dizer a
|
|
constante ``s'' que representa a unidade em si.
|
|
|
|
Assim você converte qualquer coisa com facilidade.
|
|
|
|
\ghostsection{De volta ao movimento unidimensional}. Eis o primeiro
|
|
problema do IF. Existe algum jeito mais simples de computar as
|
|
respostas aqui? Como só conhecemos uma única fórmula, sempre a
|
|
aplicamos, mas você verá à frente que minha gatinha tinha um
|
|
Torricelli na manga.
|
|
|
|
\begin{exercise*}
|
|
Um motorista freia seu carro uniformemente de forma que a velocidade
|
|
cai de 72 pra 26 km/h em 5 segundos. Que distância o carro percorre
|
|
depois disso até parar? Quanto tempo levará pra percorrer essa
|
|
distância adicional? \sol. Não sei resolver. Qual é o meu problema?
|
|
Não sei que fórmula usar. Sei obter a aceleração do carro. Ele está
|
|
freiando, então tem uma aceleração negativa. Aceleração é a variação
|
|
da velocidade sobre o tempo. Então temos $a = (72 - 36)/(0 - 5) =
|
|
-7.2$ km/h. Aqui já cabe uma pergunta---devemos responder $-7.2$ km/h,
|
|
que tem dois algarismos significativos ou devemos dizer $-7$ km/h, já
|
|
que os dados contêm apenas um significativo? Digo que devemos
|
|
responder $-7$ km/h pra respeitar o sistema internacional. Se a prova
|
|
for discursiva, explicar esse fato; se não, marcar a melhor opção---é
|
|
o mais sensato a fazer aqui. (Mas note que nesse problema
|
|
especialmente, usar o $-7.2$ é o melhor a fazer porque as contas vão
|
|
dar mais certo usando-o. A gente só deve respeitar o sistema
|
|
internacional quando reportamos os valores finais.)
|
|
|
|
Okay, temos a aceleração---e agora? Lembro perfeitamente da fórmula
|
|
%
|
|
$$x(t) = x_0 + v_0 t + \fr{1}{2}a t^2,$$
|
|
%
|
|
mas nem sei como usá-la pra resolver esse problema.
|
|
|
|
Ah, espere um momento! Sei como descobrir $x(5)$ porque sei a
|
|
velocidade e a posição em $t=0$ e tenho a aceleração. O carro então
|
|
depois de 5 segundos está em $x = 0.075$ km, ou seja, posição $75$
|
|
metros, conta que obtive na calculadora (primeiro incorretamente,
|
|
depois incorretamente de novo e por último corretamente). Podemos
|
|
agora descobrir em que posição ele estará quando sua velocidade chegar
|
|
a zero? Não tenho uma fórmula pra velocidade. Ah, compute a derivada
|
|
de $x(t)$ pra obter
|
|
%
|
|
$$v(t) = x'(t) = v_0 + at.$$
|
|
%
|
|
Aos 5 segundos, a velocidade inicial do carro vai ser 36 km/h e
|
|
queremos $t$ tal que $v(t) = 0$, obtendo o problema
|
|
%
|
|
$$0 = \fr{36}{3600} + \left(\fr{-7.2}{3600}\right)t$$
|
|
%
|
|
cuja solução dá
|
|
%
|
|
$$t = \fr{36}{7.2} = 5 \text{ segundos}.$$
|
|
%
|
|
Note que não escrevemos as unidades aqui por economia de tempo. A
|
|
computação de 36/7.2 foi feita por calculadora. No papel, faríamos
|
|
$360 \div 72$, que é uma conta fácil de fazer. A conta que não é
|
|
fácil de fazer nesse problema é a conta que nos leva ao fato de que
|
|
nos 5 segundos iniciais, o carro percorre $0.75$ km, mas nem pensei em
|
|
como facilitá-la.
|
|
|
|
Anyway, o carro percorre mais 5 segundos até parar. Portanto, pra
|
|
obter a distância adicional percorrida, queremos
|
|
%
|
|
$$x(10) - x(5)= 0.1 - 0.075 = 0.025 \text{ km},$$
|
|
%
|
|
ou seja, o carro ainda se desloca por mais 25 metros, o que levou mais
|
|
5 segundos. Note que a segunda pergunta do problema foi respondida
|
|
primeiro---vida normal.
|
|
\end{exercise*}
|
|
|
|
\begin{remark*}
|
|
Eis a importância de se usar calculadora. Mesmo usando-a, errei o
|
|
valor obtido em $x(5)$ e depois acertei em $x(10)$. Usando Python,
|
|
consegui descobrir isso rapidamente, mas teria levado talvez horas pra
|
|
descobrir se estivesse calculando na mão. O cansaço decorrente não
|
|
compensa o desgosto gerado uma vez que estamos realmente preocupados
|
|
em cobrir terreno porque temos uma prova a fazer em breve. Parece boa
|
|
a estratégia de refazer as contas (quando elas estiverem certas)
|
|
observando o que podemos facilitar na computação. (LOL---tinha erro na
|
|
fórmula Python, então tive que corrigir novamente. Agora é enfática a
|
|
importância de calculadora aqui, isto é, de um computador mesmo.)
|
|
\end{remark*}
|
|
|
|
\ghostsection{A equação de Torricelli}. A equação de Torricelli
|
|
relaciona a velocidade diretamente com a aceleração sem envolver o
|
|
tempo. Ela é
|
|
%
|
|
$$v^2 = v_0^2 + 2a \Delta x$$
|
|
%
|
|
Sendo assim, veja como podemos aplicá-la no problema
|
|
abaixo---agradecimentos à gatinha mais linda do mundo.
|
|
|
|
\begin{exercise*}
|
|
Com que velocidade uma bola deve ser lançada verticalmente pra cima
|
|
pra que a bola alcance a altura máxima de 50m? Quanto tempo ela ficará
|
|
no ar? Desenhe os gráficos $y$, $v$ e $a$ {\em versus} $t$. Indique
|
|
nos dois primeiros gráficos o instante em que ela alcança os
|
|
50m. \sol. Computei a derivada de $y(t) = 0 + v_0 t + (1/2) (-9.8)
|
|
t^2$ pra obter $v(t) = v_0 - 9.8 t$ e assim isolei $t =
|
|
v_0/9.8$. Então consegui eliminar $t$, substituindo $v_0/9.8$ em
|
|
$y(t)$, obtendo
|
|
%
|
|
\begin{align*}
|
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y(t) = \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{9.8}{2} \fr{v_0^2}{9.8^2}
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= \fr{v_0^2}{9.8} - \fr{v_0^2}{2 \cdot 9.8}
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= \fr{v_0^2}{9.8} \left(1 - \fr{1}{2}\right)
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= \fr{v_0^2}{9.8} \cdot \fr{1}{2}
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\end{align*}
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Como queremos altura de 50m, obtemos a quadrática
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\begin{align*}
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50 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
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100 &= \fr{v_0^2}{9.8}\\
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980 &= v_0^2\\
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31.30 &= v_0,
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\end{align*}
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como desejado. Agora, quando prosseguimos pra perguntar quanto tempo
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leva pra essa bola alcançar esses 50m, obtemos a quadrática $-4.9t^2 +
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31.30 t - 50 = 0$, que não tem raiz. Como pode? O problema não tem
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como estar errado. Queremos lançar uma bola pra cima até atingir 50m e
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contabilizar o tempo---isso é perfeitamente físico. Estamos errados em
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algum lugar. Como nossa $v_0$ casa com o gabarito, é na produção da
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quadrática que estamos errados---aritmética! (A gente erra muita
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aritmética.) Mas a aritmética parece correta, então física é uma coisa
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muito perplexante.
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O problema é o seguinte. Quando usamos o valor $v_0 = 31.30$ m/s, a
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gente tá fazendo uma aproximação. Com 6 algarismos significativos,
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$v_0 = 31.3049$. Quando montamos a quadrática com $v_0 = 31.30$, o
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erro de arredontamento fez uma quadrática que não tinha raiz. Não
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deveríamos ter-nos interrompido: bastava procurar pelo ponto máximo
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dela que encontraríamos $t = 3.1938 \approx 3.2$, de onde obteríamos a
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resposta correta $t = 6.4$ (ida e volta). Se em vez de $v_0 = 31.30$,
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tivéssemos arredondado pra $v_0 = 31.305$, encontraríamos a quadrática
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$-4.9t^2 + 31.305 t - 50 = 0$, que tem raiz $t \approx 3.18$.
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\end{exercise*}
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\begin{remark*}
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O fato é que esse problema precisa ser resolvido do zero
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novamente. Tem formas muito mais fáceis de se raciocinar aí. A gente
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resolveu o problema colocando a origem em $y = 0$, mas poderíamos
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colocá-la no ápice da altura (ou seja, a 50 m do chão), onde $v_0 =
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0$. Assim, o termo linear da quadrática some e obtemos a equação
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\begin{align*}
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-50 &= v_0 t + \fr{1}{2} a t^2\\
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&= 0 \cdot t + \fr{1}{2} (-9.8) t^2\\
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50 &= \fr{1}{2} (9.8) t^2\\
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100 &= (9.8) t^2\\
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t &= \sqrt{\left(\fr{100}{9.8}\right)}\\
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t &= 3.1943,
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\end{align*}
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%
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como desejado. Note que agora a posição desejada é $-50$ porque
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colocamos o ápice da bola como $y = 0$ e então ela vai cair 50 metros,
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ficando no lado negativo do eixo $y$.
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\end{remark*}
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\begin{remark*}
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Sabe o que é curioso? Errei a aritmética quando computei o comentário
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acima. Em vez de dividir 100 por 9.8, eu multipliquei 100 por 9.8,
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obtendo 980, cuja raiz é exatamente $v_0$, a velocidade com que a bola
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precisa partir pra chegar com velocidade zero a 50 metros. Sim, rolou
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um momento de perplexidade.
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\end{remark*}
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\printbibliography
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\selectlanguage{english}
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\end{document}
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