Differential equations.

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@ -85,7 +85,7 @@
%% {} % head spec (empty means `normal')
%%
%% \theoremstyle{pf}
\newtheorem*{pf}{Proof}
\newtheorem*{pf}{Prova}
% references
\newcommand{\refth}[1]{Theorem \ref{#1}}
@ -6650,6 +6650,160 @@ provado por indução. Acima, nós fomos até $2^3$ no denominador,
portanto temos $2^4$ termos, que são $2^7$ metades e a unidade com a
qual a série se inicia. Isso então significa...
\section{Equações diferenciais}
Equações diferenciais é certamente a aplicação mais importante de
Cálculo porque quase qualquer coisa na vida envolve uma quantidade que
varia com o tempo e em seguida deseja-se por uma fórmula que expresse
a acumulação dessa coisa que varia. Embora não sejamos obcecados por
equações diferenciais, gostaríamos de documentar as mais simples
observações sobre o tema.
Uma equação diferencial é chamada de {\em ordinária} se a função que
soluciona a equação depende de apenas uma única váriavel independente,
ou seja, a função desejada é $y(x)$. Se ela depender de mais de uma
variável, então trata-se de uma equação diferencial parcial, quando a
solução é uma função como, por exemplo, $y(x_1, x_2)$.
Uma equação é chamada de {\em separável de primeira ordem} quando ela
pode ser escrita como
%
$$\frac{dy}{dx} = f(x) g(y)$$
%
porque assim é possível separar $y$ e $x$ em cada lado da equação e
simplesmente integrar ambos os lados da equação usando-se uma
aplicação do seguinte teorema.
\masciith{} \label{th1} Declare $y = Y(x)$ uma solução de
%
\begin{align} \label{8.45} A(y) y' = Q(x) \end{align}
%
tal que $Y'$ é contínua num intervalo $I$. Assuma que $Q$ and $(A
\circ Y)$ sejam contínuas em $I$. Declare $G$ uma antiderivada de
$A$. Daí $y$ satisfaz
%
\begin{align}\label{8.46}G(y) = \int Q(x) \dx + C.\end{align}
%
Conversamente, se $y$ satisfaz (\ref{8.46}) então $y$ é solução de
(\ref{8.45}). \qed \theend
\masciiproof Já que $Y$ é solução de (\ref{8.45}), então
%
\begin{align} \label{8.47} A(Y(x))Y'(x) = Q(x) \end{align}
%
pra cada $x$ em $I$. Já que $G'= A$, então (\ref{8.45}) nos dá
%
$$G'(Y(x))Y'(x) = Q(x).$$
%
Mas $G'(Y(x))Y'(x)$ é a derivada de $G(Y(x))$, que então é uma
antiderivada de $Q$, isto é
%
\begin{align} \label{8.48} G(Y(x)) = \int Q(x) \dx + C,\end{align}
%
e assim a primeira parte do teorema está provada. (Note a constante
C. Quando integramos $G'(Y(x))Y'(x)$, uma constante aparece. Chame-a
de D e declare $C = -D$.)
Agora assuma que $y$ satisfaz (\ref{8.46}). Derivando-a, obtemos
%
$$ A(y)y' = Q(x),$$
%
que era o que desejávamos.\profend
Temos aqui apenas uma relação entre equações. A mesma função $y$ que
satisfaz $A(y) y' = Q(x)$ satisfaz também $$G(y) = \int Q(x) \dx +
C.$$
\ghostsection{A importância dessa relação}. Considere a equação
$y'(x) = y(x)$, onde $y'$ é a derivada de $y$. Implícito na notação
está o fato de que $y$ é uma variável dependente de $x$. Álgebra nos
permite dizer que $$(1/y(x)) y'(x) = 1.$$
Declare $A(y) = 1/y$ e $Q(x) = 1$. Declare $G(y)$ uma
anti-derivada de $A(y)$ --- como por exemplo $\ln|y|$. O teorema acima nos
permite dizer que a função $y$ também satisfaz a equação
$$G(y) = \int Q(x) \dx + C.$$ Logo, para descobrir uma anti-derivada
de $A(y)$, basta integrar $Q(x)$ com respeito a $x$. Perceba que isto
é o mesmo que integrar $A(y)$ com respeito a $y$, ou integrar $A(y)
y'(x)$ com respeito a $x$. Escolhamos então a integração mais fácil e
de dessa forma obtemos a das outras também.
Esse é o raciocínio necessário para solucionar equações diferenciais
separáveis de primeira ordem. O que alguns livros-texto fazem, como
por exemplo o famoso ``Calculus'' de James Stewart, é aplicar o
teorema através de um truque da notação de Leibniz.
Olhemos de mais perto. Considere novamente $dy/dx = y$. Para
solucionar essa equação, precisamos invocar o teorema acima. Em vez
de invocá-lo, entretanto, suponhamos que $dy$ e $dx$ sejam, em si,
variáveis distintas e por mera questão de investigação, operemos a
equação da seguinte forma:
\begin{align}
\dy/\dx &= y\\
(1/y)\dy &= \dx
\end{align}
Voltemos agora nossa atenção à equação
\begin{align}
\int (1/y)\dy = \int dx.
\end{align}
Sabemos que o lado direito é equivalente a $x + C_1$ e que o lado
esquerdo é equivalente a $\ln|y| + C_2$. Podemos isolar $y$ através
de uma aplicação da inversa de $\ln$ e estaríamos satisfeitos, ou
seja, se houver uma conexão entre (5) e (7), temos um procedimento que
é fácil de lembrar --- devido a algebrização dos símbolos $\dy$ e
$\dx$ --- e que nos permite expressar $y$ em função de $x$ --- isto é,
solucionar a equação. Felizmente a conexão existe como vimos acima.
\subsection{O modelo logístico}
Uma equação diferencial famosa é o modelo logístico, que modela
crescimento populacional. É chamada de ``lei do crescimento natural''
o fato de que a velocidade de crescimento de uma população é
proporcional ao tamanho atual dela, o que é bem sensato. Em símbolos,
essa lei se traduz em
%
$$\fr{dP}{dt} = kP,$$
%
sendo $k$ alguma constante específica relativa à população em si. Por
exemplo, uma população de bactérias pode ter uma certa constante e uma
população de búfalos, outra.
Essa equação por si só já é um modelo de crescimento populacional, mas
é muito simplista: ela assume, por exemplo, que a população pode
crescer pra sempre, o que até nem é absurdo quando a população está em
início de expansão, mas se torna absurda quando a população começa a
passar de sua ``capacidade máxima de suporte'', que vamos chamar de
$M$.
O modelo logístico leva essa capacidade máxima em consideração e faz
com que o crescimento se torne decaimento se a população estiver acima
dessa capacidade máxima de suporte, ou seja, se $P > M$. A equação que
modela essa sofisticação é
%
$$\fr{dP}{dt} = kP\left(1 - \fr{P}{M}\right).$$
%
Observe como o fator $(1 - P/M)$ funciona como uma correção ao modelo
simplista. Se a população estiver acima da capacidade de suporte,
então $(1 - P/M) < 0$ e assim $dP/dt < 0$, ou seja, a população decai.
Se porventura a população estiver abaixo da capacidade de suporte,
então $(1 - P/M) > 0$ e assim $dP/dt > 0$.
Isso não significa que o modelo faz a população oscilar ao redor de
$M$. Não ocorre essa oscilação. O que ocorre é que se você começar com
um $P_0$ abaixo de $M$, então a função-solução tende a $M$ por baixo
quando $t$ cresce sem limite. Similarmente, se você começar com uma
população inicial acima de $M$, então a função-solução tende a $M$ por
cima quando $t$ cresce sem limite. Agora, de fato existe uma solução
que é $P(t) = M$ em que a população permanece em $M$ pra sempre, o que
é chamado de {\em solução de equilíbrio}. Outra solução de equilíbrio
para o modelo logístico é $P(t) = 0$, quando a população permanece em
zero pra sempre.
Naturalmente a gente se pergunta agora qual é a função-solução. O
modelo logístico é uma equação diferencial separável de primeira
ordem, então sua solução não é difícil de ser obtida se você tiver um
mínimo de técnicas de integração.
\newpage \tableofcontents
\newpage \printbibliography